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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mundos Infinitos - Rumi

Mundos Infinitos - Rumi

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***

A cada instante a voz do amor nos circunda e partimos em direção ao céu profundo
Por que deter-se a olhar ao redor?

Já estivemos antes por esses espaços e até os anjos os reconhecem
Retornemos ao mestre, que é lá nosso lugar
Estamos acima das esferas celestes, somos superiores aos próprios anjos
Além da dualidade nossa meta é a glória suprema
Quão distante está o mundo terreno do reino da pura substância?

Por que descemos tanto?

Apanhemos nossas coisas e subamos mais uma vez
Sorte não nos faltará ao entregarmos de novo nossas almas
Nossa caravana tem por guia Mustafá, a glória do mundo

Ao contemplar sua face a lua partiu-se em dois pedaços
Não pôde suportar tanta beleza e fez-se feliz mendicante frente àquela riqueza

A doçura que o vento nos traz é o perfume de seus cabelos
A face que traz consigo a luz do dia reflete o brilho de seus pensamentos
Olha bem dentro de teu coração e vê a lua que se despedaça

Por que teus olhos ainda fogem dessa visão maravilhosa?

O homem emerge do oceano da alma como os pássaros do mar
Como há de ser terra seca o lugar do descanso final 
de uma ave nascida nesse mar?

Somos pérolas desse oceano. 

A ele pertencemos. Cada um de nós.

Seguimos o movimento das ondas que se arrastam até a terra 
e então retornam ao mar

E eis que surge a última onda e arremessa o navio do corpo à terra
E quando essa onda regressa naufraga a alma em seu oceano
E este é o momento da união

Autor: 
Mawlana Jalaluddin Rumi

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Morre agora, morre! - Poesia Rumi



"Morre agora, morre!
Morre neste amor,
Quando morto estiveres, nova vida receberás.

Morre agora, morre!
Não temas esta morte,
pois todos hão de elevar-se da terra
e tocar os céus.

Morre agora, morre!
Liberta-te de vez da alma carnal
ela é a grade, tu o prisioneiro.
Toma a ferramenta e cava o chão da prisão,
quando delas tiveres escapado, serás príncipe e rei.

Morre agora, morre diante do belo Rei!
E quando morto estiveres diante de tal majestade,
hás de tornar-te insigne senhor.

Morre agora morre!
E remove esta nuvem.
Quando saíres de trás dela
serás radiante lua cheia.

Silêncio! Faz silêncio!
O silêncio é o sinal da morte.
Em nome da vida
não fujas mais do que guarda silêncio!

Silêncio!"

Jala ud-Din ("O Revelador da Religião") 
Rumi - Poeta sufi do século XIII

Não Penses - Poesia Rumi



"Não penses. Não penses.
Os pensamentos são como a chama
Que de alto a baixo tudo consome.

Perde a razão,
endoidece de embriaguez e assombro,
e de cada broto nascerá a cana de açúcar.

A bravura é demência, tira-a da cabeça, renuncia!
Como o leão e os homens, renega vãs esperanças.
Os pensamentos são armadilhas,
é proibido desperdiçá-los.

Para que tanto sacrifício por migalhas?
Se não te absténs desse alimento,
é inútil querer livrar-te de tais ardis.
Se a avidez reclama, sê surdo aos seus apelos"

Jalal ud-Din (RUMI)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Encontro de Dois Oceanos – Jalal ud-Din Rumi e Shams de Tabriz


O Encontro de Dois Oceanos – Jalal ud-Din Rumi e Shams de Tabriz


As Três Versões de “O encontro de dois oceanos”.

Vindo de madrassa (escola religiosa muçulmana) acompanhado de seus discípulos, Rumi cavalgava um burrico. Ao passar perto de um caravançarai, um homem que estava à margem do caminho pôs-se à sua frente e dirigiu-lhe a seguinte pergunta: “Tu, que és o grande conhecedor de teologia e das escrituras, respondeu-me: quem é maior, o Profeta Mohammed ou Mayazid Bistami?” – Rumi respondeu sem hesitar: “Mohammed foi sem dúvida o maior de todos os santoe e profetas”. – “Se é assim”, replicou Shams,”como explicas que Mohammed disse: ‘Não te conhecemos, Senhor, como dever ser conhecido’, enquanto Bayazid exclamava: ’Glória a mim! Imensa é minha glória.’?” Ao ouvir isso, Rumi desmaiou. Quando despertou, levou Shams para sua casa e lá ficaram a sós, em santa comunhão por quarenta dias.

***

Segundo outra versão desse encontro, Rumi ensinava seus discípulos em sua casa e tinha diante de si uma pilha de livros. Durante a aula um homem entrou e, após cumprimentar os presentes, sentou-se num canto da sala. Apontando para os livros, o visitante perguntou: “O que é isso?” Rumi, incomodado pela interrupção, respondeu secamente: “Tu não sabes o que é isso”. Imediatamente os livros incendiaram-se. Perplexo e assustado, Rumi dirigiu-se ao estranho: “O que é isso?” O estranho apenas repetiu: “Tu não sabes o que é isso”, e retirou-se tranquilamente da sala. Rumi abandonou a classe e saiu desesperado em busca do estranho, mas não pôde encontrá-lo.

***

Uma terceira versão da mesma história foi contada por Jami, grande poeta persa do séc. XV:

Enquanto falava a seus discípulos, Rumi empilhara seus livros à borda de um tanque. Shams apareceu e perguntou o que continham aqueles livros. Rumi respondeu: “Aqui só há palavras, em que te podem interessar?” Shams ud-Din apanhou os livros e jogou-os dentro d’água. Rumi esbravejou, furioso: “O que fizeste, dervixe? Alguns desses livros continham manuscritos importantes de meu pai, que não se encontram em nenhum outro lugar”. Então, para o espanto de Rumi e dos discípulos, Shams enfiou a mão no fundo do tanque e retirou intactos, um a um, todos os livros. Maulana (Rumi) lhe perguntou: “Qual o segredo?” Shams ud-Din respondeu: “Isso é que se chama prazer ou desejo de Deus (dhawq), e êxtase ou estado espiritual (Hal); tu não sabes nada o que é isso”.


RUMI, Jalal ud-Din. Poemas Místicos DIvan de Shams de Tabriz. Attar Editorial. PP.15-16

Se o amante se lança na chama da vela e não se queima,
ou a vela não é vela ou o homem não é Homem,
Assim o homem que não é enamorado de Deus
e que não faz esforços para o alcançar não é Homem.
Deus é aquele que queima o homem e o aniquila
e nenhuma razão o pode compreender.

Mawlana Rumi - ' Fihi ma fihi'

Por Amor

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... És precioso aos meus olhos. Troco reinos inteiros por ti...

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"Nem Cristão, Judeu, ou Muçulmano,

nem Hindu, nem Budista, Sufi ou Zen.

Nem uma Religião ou Sistema cultural.

Eu não sou do Oriente nem do Ocidente,

nem dos oceanos nem da terra,

nem material ou etéreo,

nem composto de elementos.

Eu não existo..."


Mawlana Jalaluddin Rumi