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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sexo e Tantra

Sexo e Tantra


Por: Ananda Prem

Quase que a totalidade da literatura tantrica ocidental quando o tema é tantra, inegavelmente o conecta com sexo e/ou kamasutra. Ao lermos, porém textos ou livros editados na India e escritos por indianos vemos que quando o assunto é tantra, não há praticamente nenhuma citação à sexo. Mas enfim, o que o tantra tem a ver com sexo?

Esta é uma pergunta clássica de todo site que trata deste assunto. Então, precisamos primeiro entender o que é o tantra.

O tantra é um sistema de “conceitualização” do universo, sendo, desta forma, um modo de explicar a existência, seu funcionamento e, o que é mais importante, como este conceito pode ser aplicado em nossa experiência.

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Tantra é o sistema, o processo filosófico que trata de conceituar, ou de expor um ponto de vista. Tantras são os shastras, ou escrituras onde este conhecer se apóia.

Este sistema foi tradado como um “conhecimento marginal” no período contemporâneo na Índia, especialmente pelo imperador Akbar, que instalou o império Mogul como também pelos ingleses, pois algumas de suas práticas se mostravam como uma afronta ao puritanismo britânico.

Assim sendo, por um período muito grande de tempo, o Tantra ficou soterrado por séculos em função da marginalização imposta pelos colonizadores e/ou invasores, como queiram. Ingleses e muçulmanos.

A censura imposta pela limitação imperial deve-se a práticas não convencionais, tanto do ponto de vista psicológico como do ponto de vista corporal, haja visto o aspecto comportamental do tantra.

Assim, este sistema que outrora, antes da presença dos invasores, já era Gupta Vidya, ou seja conhecimento secreto, passou a ser também um conhecimento proibido.

Deste modo, o que era para poucos, passou a ser para “muito menos” ainda.

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Alguns tantras tratam de sexo, porém isolar somente este aspecto desconsiderando a enormidade de outros é por demais conveniente, para aquele que está necessitando de uma luxúria institucionalizada e apoiada por textos milenares. Então, vamos com calma.

Na Índia não há uma linha clara de divisão entre tantra, vedanta, e yoga, sendo assim temos que tratar com mais cuidado ainda este tema.

O tantra procura entender à luz de uma visão não dualista, o mistério da existência e para tanto se utiliza de diversas ferramentas para atingir este estado.

Este estado pode ser facilitado pelo uso de ferramentas que podem ajudar o praticante (tantrika) a chegar a este estado de percepção não dualista.

Desta maneira, podem ser usados yantras, mantras, pranayamas (respirações) a fim de atingir um estado de sincronia entre nossos dois hemisférios cerebrais a fim de criar uma consciência unificada de nosso ser, mudando o ponto de vista que temos do que ocorre em nosso entorno.

O aspecto critico que enfatizamos aqui, é que o tantra não pode ser minimizado a ponto de ser entendido como uma prática para apimentar uma relação, ou então para desbloquear a sexualidade, ou outra variante destas. E como um sistema de compreensão e conceitualização especialmente falando, o seu foco é no conteúdo e não na forma.

Logo não é a aplicação da técnica em si que caracteriza um tantrika, e sim em seu conteúdo interior, e este conteúdo interior se manifesta pela individuação, ou seja o trabalho de rompimento das camadas de personalidade que impedem a percepção do real.

Assim, os trabalhos de tantra envolvem uma postura disciplinar (sadhana), para que seja atingido um ponto de consciência no qual se assente um viver dentro de uma outra perspectiva.

Como já dissemos anteriormente, não havendo uma linha divisória nítida entre as diversas tradições antigas, como por exemplo, entre o vedanta e o tantra, muitas das praticas védicas sempre foram incorporadas às praticas tântricas.

Estas práticas com o uso dos elementos (mahabuthas) sempre foram de muita importância para a compreensão dos tattvas nos chacras, como também o uso de yajnas (cerimônias do fogo) como elemento de purificação de nossos corpos sutis.

Associa-se ao fato de, sendo o tantra uma tradição secreta, (Gupta Vidya), sempre a instrução foi desenvolvida de uma forma individualizada, onde havia a necessidade de uma iniciação muito individualizada, já que cada indivíduo possui um aspecto diferente a ser vivido dentro desta experienciação.

Nesta tradição, como conhecimento secreto, os antigos trataram de ocultar através de metáforas este conhecer. E aqui está o começo de um grande problema já que o leigo não entende metáforas. Acrescentamos o fato de que estas metáforas estão relacionadas com símbolos ligados à sexualidade, polaridade, homem e mulher. Assim, junta-se a conveniência de ler somente a metáfora ou a simbologia com o desconhecimento em sí.

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Ou seja, sem a devida purificação dos sentidos, qualquer pratica externa tântrica é apenas uma manifestação teatral, que pode levar alguns riscos para as pessoas mais sensíveis.

O que acontece é que os indivíduos somente absorvem a parte “conveniente” doas praticas. Sendo o tantra uma linha que é de tradição desrepressora, fica muito fácil “soltar a franga”, sem se ter noção do que está fazendo e entrar em campos energéticos, onde os mais sensíveis acabam sendo prejudicados, já que os mantras, os fogos (homa), os yantras são os elementos fundamentais para a criação de um campo próprio para a desidentificação real com nossos processos de controle, e a entrada em um nível de supraconsciência.

Deste modo, retornando a pergunta inicial, o sexo tantrico é um sexo feito por um tântrico. E um tantrico é alguém ques está de algum modo, preferencialmente, o modo mais estreito possível, conectado a essência de tudo o que foi acima mencionado.

Isto é um conhecimento secreto, ainda, e para poucos.


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