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terça-feira, 5 de março de 2013

O Encerramento do Ciclo e o ressurgimento da Fênix.


O Encerramento do Ciclo e o ressurgimento da Fênix.

Nota do Blog:
Abaixo o relato de uma experiência surpreendente vivenciada entre a vida e a morte por uma querida amiga e irmãzinha de caminhada terrena.

Vale muito a pena conhecer a história de superação e fé deste maravilhoso Ser.

Um grande abraço a todos os queridos amigos, irmãos e companheiros de caminhada aqui do Blog O SOL INTERNO durante esses quase 4 anos de aprendizados juntos.

FIAT LUX
PAX

MMSorge





Ana Gardênia


“A fênix é um pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em autocombustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas”. Outra característica da fênix é sua força que a faz transportar em voo cargas muito pesadas, havendo lendas nas quais chega a carregar elefantes, podendo se transformar em uma ave de fogo.

Teria penas brilhantes, douradas e vermelho-arroxeadas, e seria do mesmo tamanho ou maior do que uma águia. Segundo alguns escritores gregos, a fênix vivia exatamente quinhentos anos. Outros acreditavam que seu ciclo de vida era de 97.200 anos. No final de cada ciclo de vida, a fênix queimava-se numa pira funerária. A vida longa da fênix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual”.

É final do grande ciclo maya (ver nota) enquanto escrevo e me recupero de cinco meses numa UTI. Estava no combate de uma resistência orgânica às mudanças básicas, mesquinhos apegos do ego já atingido pelas alterações fundamentais que havia feito, confirmando o fluxo que era de se esperar de alguém supostamente louca e eventualmente normal como eu. Estava nessa amarração feito âncora que não larga o solo, privando o navio da sua oceânica viagem, quando um mal-estar mais ou menos anunciado me acometeu pouco antes do carnaval de 2012. Uma dor no peito, mais perto da alma que do coração, disparou o alarme.

Apesar da pressão de uma veia que parecia puxar para esquerda, me arrastei até a rádio com intenção de trabalhar. Nem bem cheguei aos estúdios da Rural FM de Alto Paraíso, percebi o colapso iminente. Por inexplicável coincidência, um taxista chegou à recepção para entregar uma encomenda. Aproveitando a providência, pedi para ser levada ao hospital do município onde já estivera atrás de recurso médico umas três ou quatro vezes. Já sabia não poder ali encontrar solução, mas pra onde mais eu iria? A notícia bomba veio rápida, já encaminhada à internação, descobriram em mim agindo em conjuntura, uma grave pneumonia com uma ignorada diabetes. Foi demais para um corpo de metro e meio. Anoiteceu e eu não havia sido liberada, dormi profundo nas águas do além-vida. De nada lembro-me no mundo das formas a partir daí.  Nada do que participei nesse estágio de ausência fazia parte do mundo dito real.

Quando a consciência pretendeu voltar à superfície achei que tinha desencarnado. Morri e agora serei comunicada, pensei. Aguardava sem ansiedade os ritos astralinos pós-morte descritos na literatura espírita, registrados na casuística das terapias de vidas passadas, nos relatos sobre pessoas consideradas clinicamente mortas e que voltaram; confiava nas milhares de mensagens que iluminados psicografaram. Esperava a flutuação do espírito experimentando a devolução da liberdade, a luz no fim do túnel, o inferno de Dante, os amigos do plano invisível e os inimigos de anteriores encarnações querendo vingança. Mas nada aconteceu. Ouvia vozes longínquas, estranhos sons, nada fazia sentido. Olhos cerrados, ouvidos sensíveis, pensamento focado na minha reação frente à condição de morta. Onde estaria eu?

Numa espécie de plano intermediário? Talvez. Numa réplica do mundo físico? No purgatório? Numa escola ou hospital do astral? Fora do planeta?


A INSÔNIA DOS MORTOS

O ritual ilusionista na verdade só acontecia dentro da minha mente. Medo, também culpa. Medo de sofrer dor, essa nossa eterna inimiga. Mas como exatamente um morto pode sentir dor? Então a dor não é e nunca foi física. Dor na alma, era um martírio psicológico o que eu temia; Culpa, esse peso auto-imposto que nos atira a primeira pedra. Nós mesmos o réu, defensor, acusador e juiz. Qual, entre essas personas do Juízo Final, teria a última palavra? Quem teria razão? A quê estaria exposta após a sentença? Mais uma vez o medo, o medo da morte.

Somente a perfeição da alma nos livrará desse fardo. A consciência nos acusa de ter protelado ad eternum a sua libertação; a consciência, essa alma perdida, nos acusa de tê-la negligenciado, da covardia de não levantar-se e andar. E ainda me vieram à memória conturbada, todos aqueles seres cósmicos da história terrestre, aqueles exemplos de vigor espiritual, aquela pureza e dignidade crísticas, aquelas crianças do amor incondicional. A “morte” reserva mais verdades do que a “vida” é uma inversão de valores, um quantum de informações pessoais e intransferíveis que disparam o alerta vermelho, avisando que o tempo não suportará mais a inércia.

Depois de um mergulho nas águas do pantanal sob a vigilância de um poderoso felino que a tudo assistia, seguiu-se uma aula de engenharia química operacional, reproduzindo a dinâmica do comportamento entre a escolha e o seu efeito. Tudo poderia ser reconstruído, desde que o quisesse. Repetidamente durante um tempo equivalente a alguns “anos”, absorvi aquela mensagem desdobrável em diferentes aspectos até que a vontade finalmente se pronunciasse e decidisse: preciso voltar. Eu tenho que sair daqui. Como um náufrago que emerge à superfície, saí daquele líquido aminiótico, e enquanto já aguardavam a notícia de meu desprendimento, anunciado como irreversível, desafiando os prognósticos hospitalares e em atendimento à fé das dezenas de pessoas que rezaram por mim, voltei, para surpresa dos médicos.

Os diálogos iam e vinham, vozes que se repetiam numa alternância de turnos e de assuntos incompreensíveis. Aos poucos uma mudança cênica se manifestava, não estava mais naquela dimensão fantástica, era tudo mais lento agora, o tempo arrastava-se. Parecia uma espécie de laboratório para onde possivelmente teria sido encaminhada e serviria de cobaia. A mente estava obcecada por essa ideia.  Criaturas vinham me examinar e eu as pressentia, mas não conseguia reagir. O movimento da respiração era tudo o que conseguia mexer, um ar frio e constante entrava e saia de mim sem minha participação. Não era eu que respirava, era uma máquina que induzia a inspiração. Estava entubada e imobilizada, não sabia distinguir realidade do plano paralelo, na dúvida, entre a vida e a morte. Foram momentos estranhos, uma ideia se insinuou perigosamente: era tentador voltar ao estágio em que estivera em contato com a vida interna. Por que eu deveria voltar para aquele mundo de sacrifícios e dificuldades? Por que eu deveria voltar para aquele planeta? Por quê?

Estava sedada e assustada. Numa torpeza que gradativamente decrescia, fui retomando os sentidos físicos, os olhos conseguiram abrir, primeiro semicerrados, depois ávidos por informação visual, como se pudessem engolir imagens. Ao ver, descobri que de fato estava fora do ambiente original onde deveria estar. O corpo não respondia aos comandos. Músculos imóveis, articulações letárgicas, sem movimento, sem comunicação, sem explicação. Virei um bebê, um incapaz, inchei até quase explodir. Ninguém acreditava e nem sabia explicar como eu tinha voltado. Comecei a aprender sobre milagres; abnegação, doação, dedicação, entrega e amor incondicional. Eu que acreditava encontrar o amor incondicional nos grupos de meditação, vi-o ativo na UTI do serviço público, especificamente no Hospital Regional de Ceilândia. As meninas, meninos e híbridos da UTI dos adultos são pessoas comuns com seus problemas e desafios, sonhos e conquistas, mas eles são muito representativos em outro sistema. 

O sistema que é regido pelo sol da compaixão, da caridade, da paciência e todos aqueles valores que os santos conhecem. Na maioria eram rostos jovens de rapazes e moças vestidos de maneira pasteurizada, observadores “anjos da guarda” que nada tinham a ver com a maldade da minha expectativa.

 A inércia cruel não permitia a sintonia com nada. Eu era agora uma matéria-prima em experiência científica, não sabia o antes, o durante e o depois, não sabia o que se passara, o que havia acontecido. Não tinha noção de onde estava, não conhecia a minha realidade.

Foi pelo tato e pelo trato deles que comecei, a saber, da minha experiência de quase morte. Francisco se aproximou para anotar uma combinação de números – sinais de vida – quando alguém perguntou se “a paciente estava consciente”. Ele respondeu: “a paciente está totalmente consciente”. Tempos depois ele me presenteou com o Best Seller O Livreiro de Cabul, que recomendo.

Comecei a observar no ângulo de visão que a imobilidade permitia. Eles alternavam-se em diferentes funções, mas repetiam-se em presença a cada dois ou três dias. Quando chegavam, sempre com palavras de carinho e anúncio de suas atividades, eram gentis, mas inacessíveis a mim. Por causa do meu silêncio, minha compulsória mudez, ao movimentarem o meu corpo para sondar órgãos e realizar procedimentos da UTI, descobri não só a rigidez dos membros, mas o peso do corpo. Na hora do banho, habilmente providenciado por eles (as) no leito, sentia a força que faziam para me mover: “vamos virar dona Ana?”; “Agora pra cá, dona Ana...”. Eu, para mim mesma era um mistério, como não havia possibilidade de perguntar, tentava olhar nos olhos deles para sensibilizá-los, mas muito bem treinados, não atropelaram o caminho de volta, limitavam-se a me comunicar o que fariam: “uma furadinha no dedo...; um remedinho...vamos tomar um banho? Está com dor?” Era a Santi, Maria Santana, nome e sobrenome de santa, aquela que é a paciência encarnada.

Foi num domingo que descobri o que me ocorrera. Um rapaz, o Paulo, assumiu o plantão com cara feia, parecia chateado, era uma cara de pitbull e um coração de poodle. “Bom dia meu amor, hoje sou eu que vou cuidar de você”, cumprimentou-me. Sem poder responder, acompanhava seus movimentos com os olhos. Ele leu meu pensamento. Sabia que estava ali há dias sem comunicação. Com sede, com “fome” de sólidos. Tudo era injetado em mim pela veia: comida, bebida, hidratação e remédios, tudo nas artérias. Difícil dizer ao estômago que não tinha a menor chance dele ser atendido. Os órgãos, viciados em sua rotina, estranhavam a imposição do nada. Pessoas passavam com garrafinhas de água mineral... Geladinha... Um sonho de consumo. Desespero da mente trazia à memória sensorial o sabor de um sanduiche de queijo branco com berinjela e pepino, um sonho impossível. Nesse deserto sem miragens fiquei dois meses e meio. Mas antes veio o Paulo com sua revelação bombástica.

 Sutil como um elefante numa loja de cristais relatou num disparo de metralhadora giratória: “você sabe que dia é hoje? Sabe onde está? Hoje é domingo. Você está no Hospital Regional de Ceilândia, chegou aqui mal, ninguém dava mais nada pela sua vida, teve coma. Quando você chegou aqui os médicos não sabiam o que fazer com você. Não tinham o que fazer”. Era um repórter transmitindo tragédia, sem se importar com crianças e pessoas impressionáveis na sala. Também sou repórter, vi nele o reflexo do que devo ter feito por muitas vezes ao público-alvo. Paulo foi um grande apoio. Prontificou-se a livrar-me de vários inconvenientes que, paradoxalmente, algumas mulheres profissionais da enfermagem insistiam em impor. Ele era disposto e divertido. Vez por outra desviavam-no de função, tão eclética era sua capacidade de colaboração com a equipe.

Só soube o que havia me acontecido, segundo os conceitos médicos, dias depois. Dr. Saint Clair, a competência e a boa vontade em pessoa, é um experiente médico a exemplo da antiguidade clássica, quando os médicos eram também sacerdotes. Os médicos eram a intermediação de cura para o corpo e também o espírito. Saint Clair orientava seus alunos estagiários em Fisioterapia, quando chegou diante do leito que sustentava aquele monstro em que me transformei. Começou a explicar brilhantemente o meu quadro. Não sei porque não chorei. Eu era uma referência diagnóstica, uma aberração clínica, uma coisa mal resolvida entre o paradigma da medicina alopática e o milagre da vida originária dos mundos extrafísicos. Dr. Saint Clair começou a me acompanhar e o que dizia aos seus alunos parecia-me um relato tão preciso e tão grave que fiquei ainda mais paralisada. Fui instantaneamente surpreendida por um sentimento de negligência, de irresponsabilidade perante a vida. Havia surtado completamente, chocada diante da contradição entre o corpo e a mente. Queria tanto a saúde natural, o vegetarianismo, mudei meus caminhos com essa meta, e agora estava ali, amarrada ao velho paradigma, respirando com ajuda de aparelhos. Recebia overdoses de química farmacológica, sintética e industrial, tinha meu corpo atravessado pela radioatividade dos raios x, e estava nas mãos dos médicos que tateavam para encontrar minha recuperação, conforme a cartilha das Academias de Medicina. Não teria o direito de discordar e dizer não. Mas, com o intuito de ministrar uma lição de vida, aquele paradigma que eu tanto combatia e abominava me salvou. Desnecessário dizer que entrei em crises de identidade, existencial e filosófica. O quê o Universo quer me dizer sobre isso? Em pleno 2012 eu estava no Apocalipse. 


A INSÔNIA DOS VIVOS

Ninguém consegue dormir numa UTI, especialmente quando ela é tudo o que se tem. É impossível, é impraticável, o barulho não deixa e o excesso de luminosidade não o permite. Há um ruído constante vindo dos equipamentos que mantém os pacientes vivos e monitorados pelos eletrodos. Trata-se de uma fiação desgraçada, grudada ao corpo para fornecer os dados ao computador sobre os batimentos cardíacos, entre outros ritmos. Uma praga que marca a pele enquanto a gente se debate no leito tentando inutilmente dormir. Distinguir entre noite e dia era um jogo interessante, luzes fortes eram acesas acima de mim, na minha cara, e quando esquecidas, ficavam horas confundindo meu Jogo de adivinhar.

 No fim da tortura psicológica, o corpo e a mente exaustos rendiam-se ao sono opressor, nas primeiras horas da manhã, por volta das 6 horas, antes dos primeiros raios de sol, sempre depois do último beijo “dos vampiros” (falo alegoricamente). Eram os técnicos em exames clínicos que vinham coletar as amostras de sangue para uma infinidade de análises microscópicas que me vasculhariam, tomando como referência meu rio vermelho. Eu brincava dizendo que eram “vampiros do final de festa”. Eles (as) é claro não gostavam, mas as enfermeiras riam. Não era ofensivo o meu comentário, era apenas o ângulo de visão de quem atravessava as noites submetida à sucção das forças até a última gota. Todas as noites passava pela mesma sequência de tormentos: remédios a cada duas horas, furadinhas no dedo para medição da glicemia, verificação da pressão arterial, anotações dos sinais, nebulizações sempre que recomendadas, troca de fraldas; aspiração da secreção que se acumulava nos pulmões; cansaço das horas numa mesma posição e a mente a trabalhar seus medos e esperanças numa velocidade capaz de desbancar a Fórmula 1.

 Comungava com o ambiente que se alternava entre ausências e presenças ruidosas. Mas era a rotina, não poderia jamais censurá-los pelo barulho. Algumas vozes, potencialmente altas, extrapolavam decibéis inimagináveis num ambiente hospitalar. Mas a UTI é sempre uma exceção às regras. Como esperar calma absoluta e gestos mínimos numa constante luta de vivos cuidando de quase mortos?  E quando o dia iniciava clarear e finalmente era vencida pelo esgotamento, lá vinham os laboratoristas sugar meu sangue. Era pro meu bem, estava convencida. Embora me liberar da lucidez e deixar Morfeu me abraçar era o que mais me faria bem naqueles momentos. Poucos minutos após a seringa furar meus peneirados braços, caia vencida em sono profundo e então começava a briga pela vida no plano astral. Às 8 horas era servido um singelo café da manhã junto com um banquete de remédios. Às vezes eles percebiam que estava tão fragilizada pela insônia que me deixavam dormir mais um pouco. Mas a reconquista da saúde tinha uma agenda: medicamentos, exames, alimentação, fisioterapia, e principalmente, respirar. Tinha que respirar conscientemente porque o pulmão perdera a capacidade de transformar oxigênio em gás carbônico, ele não conseguia sozinho exercer sua nobre função. Ao retirar o respirador momentaneamente, a saturação derrubava o ritmo respiratório dos normais 90 a 100 para 60, 40 e até 30 ciclos. Uma ameaça concreta para a sobrevivência e um comprometimento para a circulação de oxigênio no gênio cérebro.  

Eu tinha que respirar por conta própria se quisesse ter alguma chance de sair dali. Olhava em volta e via uma dezena de leitos com gente desacordada, alguns há meses, gente que chegava no meio da noite e não amanhecia, ou não permanecia por muito tempo. Quando o telefone tocava na madrugada era o SAMU, informando a chegada de novo paciente. A equipe ficava alerta, de prontidão. Quando um dos computadores disparava o alarme, todos corriam para o leito de onde vinha o aviso da queda do ritmo do respirador. Alguém estava indo embora e a morte não escolhia por critérios. Jovens vítimas das drogas, gente acidentada, enfartada ou partícipe de brigas sangrentas chegava em estado grave. No momento em que uma crise começava, enquanto toda a equipe concentrava esforços em reverter o colapso, uma plantonista sempre corria para puxar a cortina que circundava o meu leito, privando-me de testemunhar com os olhos o que era impossível esconder aos ouvidos e ao coração.  Pacientes amedrontados, ameaçados pelos inimigos que os agredira, fugiam no meio da noite. Outros, revoltosos, arrancavam os fios dos eletrodos e os acessos de medicamento e alimentação pela veia, num motim emocional. Era a rotina da UTI.  Médicos e enfermaria ficavam silenciosos quando algum deles ia. Eu achava antes que não, que se acostumavam, mas eles ficavam tristes sim, era visível que mantinham a sensibilidade, apesar dos golpes da estrutura deficiente e nefasta, impedindo que mais recursos cheguem às mãos dos profissionais da Saúde.

A vida deles é cuidar dos que ainda tinham chance... E prosseguia. Passei um tempo sendo a única paciente consciente na UTI, o que era uma dádiva, mas também uma nesga de pequenos problemas.

Houve uma tremenda confusão depois que técnicos e diretoria reuniram-se para tratar de assuntos administrativos internos, coisas como escala de enfermeiras e chefias de plantão... A Débora, a dançarina de funk, me contou o que estava acontecendo.  Eu fui achar de tecer comentários sobre como algumas pessoas podem puxar energia alheia, baseadas num falso e momentâneo poder, como acontecia com alguns que tomavam conta da UTI à noite. Pra quê abri a minha sagrada boquinha? Alguns ficaram chateados comigo, achando que eu havia generalizado, mas não. A natureza humana é assim mesmo, pessoas infelizes não são generosas, porque não conhecem generosidade. Outras ao contrário, conseguem iluminar até nos infernos, porque têm a visão do céu dentro delas mesmas. É um nível de consciência e na UTI encontrei vários degraus. Em muitos momentos eu era a única paciente da UTI que, além de falar, tinha um aguçado senso crítico, combinação explosiva pra quem dependia de ajuda. Estar sob o poder de terceiros requer juízo duplo sob pena de acirrar melindres, é o que Carlos Castañeda chamou de “pequenos ditadores” no seu livro O Fogo Interior.

Mas antes de falar até o que não deveria, conheci a linguagem do silêncio. A eloquência do silêncio. Todos na expectativa de ouvir a minha voz depois que descobriram: a paciente é locutora da Rural FM. Achavam que iam ouvir aquela voz bem postada, própria aos locutores. Mas jornalista de formação, virei locutora por pura consequência, não tenho vozeirão. Imaginava, durante os dois meses e meio que fiquei sem comer, beber e falar, se ainda teria a capacidade da fala. Teria eu ficado com alguma sequela? Pensei. Dr. Portilho, meu heroi, uma vez disse que só com o tempo teria certeza de que o coma não havia alterado capacidades cognitivas como aprender e... Falar. Só depois de retirado o tubo, um processo longo e difícil que tive que conquistar, é que pude passar para a fase seguinte, a de respirar sem ajuda do aparelho; voltar a abrir o canal de comunicação e também reaprender a andar. Virei mesmo um bebê e reaprendi tudo.

Nos primeiros exercícios de fisioterapia, apesar do ânimo de Dr. Saint Clair e seus alunos, braços e pernas mostravam que o trabalho de soerguimento precisaria de mais força na vontade que nos músculos. Juntamente com a Rosângela, o Renato e a Mariana, fisioterapeutas do Hospital, Saint Clair e equipe conseguiram um fato notório: reanimar meus movimentos antes mesmo do meu cérebro conseguir ordenar isso. Na primeira vez que me reergueram parecia um saco de batatas, não firmava em pé. Mas como Saint Clair havia dito, saí andando do hospital. Dancei feito Michael Jackson, com os seus célebres passos para trás. Passeios em cadeiras de rodas para ver o sol, um tour pelo Hospital rumo à sala de tomografia computadorizada, programão. Um trânsito que exigia logística e esforço de grupo. Adriana, Clarice (Clau amada Clau), Dr. Saint Clair e seus discípulos fisioterapeutas, um tubo de oxigênio e minha vontade de ver a vida lá fora. Ah o sol como é bom. Nos corredores centenas de histórias de sofrimento e dor, uma demonstração da desumanidade político-administrativa, praticante de um genocídio brando. Um extermínio consentido que traga a vida com burocracia, corrupção e insensibilidade, umas decorrentes das outras e todas agindo em uníssono, lançando a vida social nas garras de um sistema constituído para destruir e negar assistência médico-hospitalar em plenitude. É vergonhoso, como categorizar esses “líderes”? Eles o fazem de propósito? Por ignorância? Por quê?


A INSÔNIA DOS IMORTAIS

A experiência do coma é uma revelação. Não há como descrevê-la em sua exatidão porque cada ser que atravessa esse mar o faz à sua maneira, necessidade e mérito. Durante o processo a percepção da realidade no mundo físico desaparece completamente e libera os sentidos internos para uma viagem às profundezas do inconsciente. Lá no profundo interior de si mesmo a matéria-prima dos arquétipos fala com clareza. Os modelos universais e as criações que povoam nossa egrégora pessoal ganham vida e desenvolvem enredos e encenações de performances que ora vivenciamos, ora não vivenciamos, mas que ignoramos existir em subníveis. Paralelamente, de forma holográfica, a memória faz conexões.

O quebra-cabeças começa a fazer sentido. Numa sequência nem sempre lógica de ações e reações, uma entidade aparentemente extracorpórea, que na verdade é a própria memória da pessoa, começa a fazer links entre o consciente e o inconsciente, a vida exterior e a vida interior. Tudo ganha importância numa dimensão extraordinária, tudo e cada detalhe. A possibilidade de não voltar aos compromissos com o mundo e deixar tudo sem aviso prévio é um choque anafilático. A responsabilidade para com todos os nossos atos é investida contra nós mesmos sem reservas. É o momento do autoconhecimento sem autoajuda. Uma síntese à velocidade da luz relata minúcias insuspeitas sobre uma verdade às vezes camuflada sob justificativas frágeis; a revelação declara guerra contra convicções baseadas em argumentos que só reforçam uma contradição entre o ideal e o real. A motivação para cada comportamento e conceito se desnuda sem constrangimentos, diante de um ser surpreso com a exposição à sua própria identidade em zoom macroscópico. Esse monitoramento interdimensional ao qual nada escapa, o Olho de Deus, também observa impassível nossas reações diante da presumida morte. Na certeza de que a personalidade dorme para o mundo, a consciência se concentra e oferece a sua essência e o seu veredicto, não há como se esconder de si mesmo. Não existe possibilidade de fuga e nem intenção. Sem a exatidão da possibilidade de voltar, a rendição é total.

Somos levados para uma dimensão só comparável em imagens e ritmos a um efeito psicodélico, a uma viagem fantástica às terras mágicas dos contos infantis tal como Alice o diria sobre o país das maravilhas; o impulso é sempre de ida não se tem o controle sobre quando parar, onde parar ou voltar. Analogamente é como passar por lugares lindíssimos sem a oportunidade e o direito de apreciar a paisagem, mas tudo fica registrado para uma análise posterior. A viagem ao nível intraterrestre do ser tem outros interesses e sua agenda de encontros com o mundo das causas não nos permite apreciar a paisagem dos caminhos internos. É uma cabalah em quarta dimensão (ver nota). Cada esfera apresenta sua própria definição independente e diferente do conceito que fazemos dela, mostra-se em sua verdade, provocando um mix de compreensão e desmistificação sobre os aspectos que acreditamos entender. Cada registro arquivado no cérebro dispara uma realidade paralela à medida que dispensamos energia ao seu conteúdo. É uma síntese com poder de estratégia e com o objetivo de despertar o potencial de mudança necessário ao indivíduo que está imerso nesse mar da “inconsciência”. O material lá guardado, muitas vezes por vidas e vidas, faz a conexão com padrões que reconhecemos na existência atual, e eles dizem a quê vieram. 

O entendimento da causa de atuais valores dá o mapa e a estrutura do que estamos realizando – traduzindo – trazendo ao mundo. Esse chamado à responsabilidade também nos exibe os méritos, os pontos focalizadores de uma energia bem direcionada que também nos levou ao caos ou a ordem. Sem a participação do ego, a submersão no inconsciente é uma providência programada para eclodir informação atômica, posteriormente a informação é reorganizada pelos elementos que se apresentam para fazer o seu trabalho, como descrevo à frente.

Os “locais” ou esferas também são representações de nós mesmos, são belos, agradáveis ou terríveis. Os lugares “superiores” significam nosso modelo perfeito, aquele que um dia a nossa identificação nos mostrou como metafísica direção a seguir e também nossas conquistas, nossa bagagem, nossos conceitos já interiorizados e compreendidos. Nesse tipo de experiência somos levados para o nirvana personalizado. Nesse “mundo” uma superentidade feminina me falou com translúcido amor. Tudo o que somos e a quê estamos vinculados nos mundos de Emanação, Criação, Formação e Ação exibe-se. Já as esferas obscuras, estão as coordenadas do nosso lado sombrio, é a polaridade, a extremidade contrária. Lugar onde se iniciam outras realidades paralelas, estas, construídas pela sabotagem de energias ainda insubordinadas, nichos onde residem egos recalcitrantes, medos e trevas, energias ainda desconhecidas, incompreendidas, negadas e abandonadas que cobram seu lugar “à luz do sol”. Animais, pessoas, personagens de livros, filmes, gênios da humanidade e até artistas e celebridades veem falar, são reflexos, o espelho se move para dentro. Desenvolvem assuntos aos quais nos dedicamos, mostram aspectos ainda inobservados, explicam conceitos, revelam segredos, desmistificam e eliminam rótulos. Eles protagonizam uma desprogramação da mente – alguns diriam da psique. Seja como for, há uma reavaliação geral e uma compreensão literalmente holística. O Todo fala às suas Partes nas suas respectivas linguagens, os universos paralelos são pesquisados em profundidade. Nesse contexto as escolhas ficam claras, com o entendimento das causas.

O deslocamento interdimensional, a viagem ao centro de “nossa terra” dispensa o tempo sensível e perceptível, o tempo não desaparece, mas torna-se elástico, a percepção temporal é uma convicção inata de que o tempo se adapta às nossas decisões e comando, mas principalmente à necessidade do agora, como se o tempo conhecesse melhor que nós, do que realmente precisamos. É moldável, maleável, amigo e plasma questionamentos num nível de sensibilidade mais refinada. O tempo parece ter uma consciência independente, autônoma, mas extremamente sensível ao “toque” mental.

Nesse tempo-lugar também encontramos guardiões. Novamente somos reapresentados a nós mesmos, alterando a visão dos guardiões que concebemos como sendo entidades estilo anjo da guarda, espírito protetor ou similares. São nossas próprias defesas, nossas próprias forças, nossos próprios exércitos. Constituídos pelo trabalho elemental e história eletrônica ao longo das existências. São o que Eu Sou. Anjos e Demônios. Nesse contexto, nada ortodoxo, anjos e demônios referem-se aos aspectos duais do ser, polaridades, não estou me referindo exclusivamente ao bem e ao mal, mas algo acima de ambos e consciente dos dois. Quando as pessoas decretam EU SOU estão se referindo ao que de fato emitem e propagam a partir de todas as suas dimensões. Não há como ser sem SER.

Voltar desses comandos interdimensionais não é fácil. Fazem-nos sentir como uma criança que só poderá sair da escola depois que realmente aprender toda a lição.  É a senha secreta para ser liberado rumo à superfície. Enquanto a compreensão não se apresenta, permanecemos ali num autoquestionamento implacável. Às vezes o cenário muda, muda conforme o direcionamento da mente, mas a consciência retorna ao ponto de partida onde tudo deverá ser compilado. A mente apercebe-se finalmente na sua própria teia, sua sutil armadilha desmonta-se diante da clareza de um jogo inútil, nada que ela possa fazer poderá camuflar o processo, nada detém o que se verifica quando o observador e o observado se concentram na mesma frequência, na sincronicidade. Tudo o que nos faz referência toma forma e vida e sempre trazendo conteúdos que jamais seriam encontrados no mundo exterior. Se você que agora lê ainda não encontrou com a Esfinge, não o deseje sem estar pronto para virar pelo avesso.

Os elementos surgem com ajuda. O vento conta com seres céleres, porém, contraditoriamente pesados e muito... Como diríamos? Mundanos. Criaturas enormes, largas, amplas, altas e gélidas, eu diria refrescantes ao contato, em mim eles comandaram um resgate pulmonar. Chegaram montados em possantes, modernas e incrivelmente velozes motocicletas. Pareciam gangs do bem. Examinaram-me, verificaram a capacidade muscular, fizeram diagnóstico, conduziram-me a uma espécie de evento onde o som era estridente e ensurdecedor. A exemplo de um evento público, o ambiente reunia criaturas das mais diversas e diferenciadas em tamanhos, tipos e formas. Era uma dimensão onde harmoniosamente todos os tipos de criaturas conviviam e desempenhavam funções correlatas. Algumas seriamente comprometidas com o caos, outras, no oposto extremo, tinham compromisso com a reestrutura. Pareciam dar pitacos sobre o que me ocorria. Eu não entendia nada, apesar de compreender a linguagem. Os seres do Ar mantiveram-se ao meu entorno, como se para impedir qualquer tipo de aproximação dos demais. Tinha uma vaga ideia do que acontecia, mas não saberia dizer onde estava. Os seres feitos de Ar expeliam uma massa que me removia, entre eles eu deslizava envolvida naquela sensação refrigerada enquanto fortes ventos me acariciavam numa maciça nuvem circulante. Eu estava dentro de um liquidificador de ventos, como um epicentro de um furacão. Era tão bom respirar aquele ar, a substância quase moldável invadia toda a musculatura e parecia que eu estava sendo preenchida de novo alento.  

Depois de um período que pareceu uma noite e um dia, um dos vendavais motociclistas me levou para fora do lugar onde atuaram. Deixou-me no que seria um recanto esmo numa região rural, ligou novamente a moto ciclonizada, disse: “cuide-se”. E se foi.

A Água surgiu mais prática, nada explicou, apenas fez. Sem diálogos fui colocada por mãos gigantes e invisíveis embaixo de uma correnteza forte, típica das cachoeiras que desabam nos grandes cursos de rios. Uma descida poderosa de água lavou minha alma, literalmente. Era noite, assim acredito porque tudo estava escuro, mas eu via a queda-d´água com nitidez. Fiquei horas sendo lavada na pedra em que repousaram o meu corpo de astral. De repente, simplesmente, as mãos sem rosto me puxaram e me puseram em repouso numa espécie de casa.

A Terra me deu aula de Arquitetura. Estava numa casa de paisagismo clássico, um estilo que mesclava Art Noveau com Bossa Nova. Alguma voz me descrevia processos de criação da matéria numa montagem que lembrava brinquedos de lego. Moldes e bloquinhos se encaixavam dando forma às realizações do planejamento mental. Era uma repetição que tinha por objetivo gravar na memória automática o know how, o como se faz. Uma estrutura de tríade sempre começava a montagem dos blocos. Essa montagem repetia-se insistentemente. Terminava e recomeçava, ninguém, só a voz. Quando a orientação foi memorizada, comecei a refazer as estruturas seguindo aquela fórmula insistente, um projeto depois outro – era um procedimento padrão, funcionaria para tudo no mundo físico. Era a base, essa triangulação equilátera vertical.

O Fogo não se apresentou em essência, mas mandou suas forças. Transmutação de padrões negativos em escalas local e global. Senti de fato o que é o Todo. Senti de fato o que é ser parte desse Todo.  Uma forte tempestade apareceu nos céus interiores, raios cruzavam a atmosfera mobilizando emoções arquivadas em passados subterrâneos, nos rios de fogo do planeta. A coisa pipocava em todo mundo, cada um conforme suas escolhas. O fogo desencadeava um despertamento de tudo que estava oculto nos seres, coisa medonha e fantástica, simultaneamente.

As transposições entre níveis de consciência eram constantes, estive em determinados momentos ao lado de criaturas abjetas com quem tive que lidar, a instrução era para liberar aquelas companhias, embora percebesse que eu é que estava “presa”; surgiu um “buraco negro” no local (por sinal com três níveis), como na performance do elemento Terra). Como a liberação era para mim, decidi pular e fazer as perguntas depois. Salto Quântico, finalmente.

Do outro lado surgi numa Rua do Recife, a Rua da Aurora, e experimentava uma visão panorâmica, embora estivesse andando parecia olhar tudo de cima. Num rompante de indução, fui caminhar pelas outras ruas, lá encontrei multidões vestidas de branco, principalmente homens e crianças. As mulheres apareciam em menor número porque a maioria delas estava fazendo uma espécie de ritual numa praia, assim me disseram. Os homens paravam os carros no meio das ruas e avenidas, e simultaneamente, desciam deles e uniam-se num abraço coletivo. Eram muitos, estranhamente os veículos foram abandonados sem tumulto ou apego. Eles simplesmente abriam as portas e desciam sem sequer desligar a ignição. Nessas vias, pessoas aparentemente desconhecidas confraternizavam-se como se numa grande festa planetária, parecia um réveillon, uma passagem de Era. Entrei num novo prédio de três andares, era também igual ao da estrutura arquitetônica que me ensinaram, lá encontrei uma galeria de arte, tive a formidável surpresa de ver Valum Votan (ver nota); ele pendurava uma pintura a óleo sobre tela e reposicionava uma escultura em forma de onda. Sintomático. Sincronáutico. Grata pelo recado, querido professor, gratidão por toda a herança estelar contida nos códigos mayas, que foram abertos no final do ciclo pela sua missão de mensageiro galáctico.

 Na sequência voltei à rua e tudo continuava festa. Expressões de alívio e um ritual de desmascaramentos. Máscaras caiam e as pessoas não se importavam. Riam como crianças que brincam de esconde-esconde. Descobertas as faces verdadeiras, eles conheceram-se, melhor, reconheceram-se mutuamente. Começaram um trabalho de transformação. Todos sabiam o que fazer e puseram-se imediatamente à ação. A tempestade desceu, a Tormenta chegou com o vento afugentando areia e água da praia.

Depois de intensa chuva, as mulheres que ali estavam aos milhares, vestidas com roupas leves e coloridas, levantavam os braços em saudação ao sol – dando boas vindas a um planeta andrógino. Não sei como soube disso, apenas sabia. Uma luminosidade quase branco cintilante imprimiu nova aura ao ambiente. Não havia poluição, tudo estava instantaneamente limpo e purificado. Todos moviam-se sem gravidade. Respirava-se um ar que atendia às necessidades físicas de segurança, alimentação e descanso.  Quanto mais respirávamos, mais fortes e energizados nos sentíamos. Alguns chegaram a flutuar. Movimento rápido e distâncias percorridas sem esforço. Também era imediata a compreensão dos conceitos. Boa parte da massa humana presente nesse contexto entendia sem dificuldades o que estava acontecendo. A possibilidade de libertação de antigos padrões limitadores era uma realidade que todos experimentavam e aprendiam a manter. Os mais simples e humildes entenderam em conformidade com suas crenças, eram os mais entusiastas. Havia igualmente gente muito graduada em conhecimentos científicos em várias áreas, estes se mostraram apreensivos e confusos. Queriam compreender como as teorias que tanto debateram, funcionavam agora sem equações lineares e teorias complexas. Ficavam pra lá e pra cá fazendo perguntas sem sucesso, porque o entendimento era um saber natural como sensações dispensadoras de palavras. Essa era a única explicação que eles puderam obter. A vida do planeta regeneração já É. A quarta dimensão habilitará as consciências. A sugestão que faço a você é para realmente participar da mudança sem expectativas imediatas, mas com ação clara e sinceramente compromissada em constituir-se veículo dessa nova vida. Porque não haverá maior beneficiado (a) do que você mesmo (a), essa é a dádiva. A dádiva é ser o agente ativo do processo. Que oportunidade, evoluir a convite da Inteligência Maior e em sincronicidade, simultaneamente. Mas a transcendência implica em estabelecimento da verdade, e ai vem a determinante “verdade” de cada um.

Os quatro elementos unidos fizeram alquimia atmosférica. O corpo de empréstimo que me permitia observar tudo com amplitude foi novamente redimensionado ao tamanho do humano.

Aqui estou Agora. Enquanto permaneci na UTI tive sucessivos sonhos nas horas em que conseguia dormir e desdobrar com eficiência. Eles deram um freio de arrumação em toda essa sucessão de acontecimentos extrafísicos.

Ainda passei por vários obstáculos para recuperar a vida em seu aspecto tridimensional. Tive duas crises de edema de glote, escapei graças à experiência, controle emocional e rapidez de raciocínio do Dr. Portilho, e tive também várias síncopes. Tudo reação aos remédios, bipolaridade medicinal com que os médicos tiveram que lidar com perspicácia cirúrgica. Mas sobrevivi para contar a história.

Nesse intervalo entre um susto e outro, tive tempo para processar informação de maneira a fomentar ajustes e redirecionamentos. Tudo muda depois disso, as prioridades, as importâncias, as necessidades e o sexto sentido. Ele integra-se, embora permaneça num nível subliminar, vigia com mais autoridade que antes. Sou inteira gratidão. O objetivo desse texto é dizer do carinho que me dedicaram, das centenas de orações em minha intenção. Católicos, evangélicos, espíritas, esotéricos, xamãs e umbandistas pediram pela minha permanência neste plano por mais algum tempo. Se por obrigatoriedade ou em atendimento às orações de tantos corações generosos, a verdade é que sinto-me com energia renovada em sua essência. Não se trata de recuperação física, exclusivamente, mas de renovação anímica. Uma sensação de certeza só comparável à verdadeira fé. Uma criatura de luz disse que eu despertei a fé. Eu imaginava saber o que era isso, essa dinâmica de dar um salto na escuridão, mas saibam, que não se pode exercer a fé sem o verdadeiro “salto”.

Em nome da poderosa força que me reposicionou no ambiente planetário em pleno apocalipse, digo a você que “a fé ri das impossibilidades”. Não confunda Fé com sua crença. Fé está acima de qualquer crença, não é acreditar, é saber assim Ser.

Assim Seja.

Gratidão,
Ao Racional Superior.
À dona da minha vida, a Natureza.
À hierarquia dos planos nas supra e infradimensões.
Gratidão aos guardiões dos caminhos internos.
Aos quatro Elementos e quinta essência.
Aos xamãs e arquivistas da memória ancestral.
Aos mestres Mayas e Indianos.
Aos sábios estelares, seus auxiliares e suas aulas-síntese.
Aos animais de poder com seu conhecimento instintivo.
À seara espírita e sua equipe médica do plano astral.

No plano Terra quero expressar minha gratidão:
Aos familiares, amigos, vizinhos, parceiros, colegas de trabalho, conhecidos e público em geral que me abençoaram com suas orações.

Em especial agradeço ao meu chefe e amigo Lineu Garcia diretor-presidente da Rede Rural de Comunicação, ao comunicador e amigo compadre Albino Pereira, e ao Dr. Heliomar (pela minha transferência para a UTI). Foram eles que agiram nas providências imediatas para salvar minha vida.  Gratidão imensa ao meu irmão Ricardo Brito, meu pai Chico Brito, minha tia Elvanira Coelho e minhas primas Vânia e Larissi, que com suas ações e amparo me ajudaram a resistir e lutar.

Também agradeço imensamente o apoio atencioso, carinhoso e diligente de Thiago, Genivan, Sônia Vívian, Nena, Chico da Onça, Dona Romilda e seo Andalécio; Afra, Nenem (e amigos do bairro do Cajueiro em Recife); gratidão a Joelma e Nill e seus caboclos guerreiros pelo apoio, atenção e ajuda. Agradecimentos a Edmar e família pela presença amiga e preocupação; aos vereadores e equipe da Câmara de Alto Paraíso pela compreensão e orações; aos meus vizinhos de rua, ouvintes e entrevistados da Rural FM, sempre acompanhando minha jornada hospitalar com mentalizações que me fortaleceram. A dona Filó, Léo e Flávio, Flávia, Sueli e Cirineu também agradeço.

Gratidão à equipe da medicina de Jesus da Aliança Evangélica Espírita Irma de Castro Mei-Mei em Abreu e Lima (PE). Gratidão à Associação Assistencial Paulo de Tarso e às Igrejas Católica e Evangélica em Alto Paraíso e São João D´Aliança (GO), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Recife (PE). Agradecimentos ao ex-prefeito Mário de São João D´Aliança (GO), pela providência e apoio com a ambulância do SAMU; gratidão à equipe da secretaria de Saúde e do Hospital Municipal Santa Madalena em São João D´Aliança. Também agradeço aos médicos, enfermeiros e motoristas da equipe do Hospital Municipal de Alto Paraíso em especial Dra. Marta.


EM CEILÂNDIA

Gratidão eterna aos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, e toda a equipe da UTI adulta do Hospital Regional de Ceilândia, em especial ao Dr. Carlos Portilho, Dra. Keila, Dr. Saint Clair, Dra Luiza e Dr. Vicente. Também gratidão ao Dr. Fernando, Dr. Leonardo, Dr. Alexandre, Dr. Ricardo, Dr. Alexsandre.

Para a turma animada dos plantões da UTI em Ceilândia grito o meu imenso e eterno agradecimento a todos sem exceção. Com especial agradecimento aos meus anjos da guarda:

Nayara, Maria Santana (Santi), Paulo, Clarice, Adriana. Francisco, Ana Célia, Daniele (Dani), Débora, Zilda, Antônio, Márcia, Maria da Luz, Orleine, Bia, Antônia. Andreia, Alessandra, Silvana, Nilza.

Anaurina, Faeda, Rafaela, Sóstenes, Mansueto, Raquel, Gisele, Luciane, Vanderson e Preta. Agradeço à diretoria, representada pela Cilene, e claro, ao pessoal do Laboratório, que cumpriu pontual e eficientemente o seu papel para o meu restabelecimento.

Gratidão incomensurável ao Dr. Saint Clair e seus alunos de Fisioterapia pelos primeiros passos da minha nova vida; gratidão também ao Dr. Renato, Dra. Rosângela e Dra. Mariana pela ginástica física e da autoestima.

Poucos sabem que quando entrei em coma, no dia seguinte, meu pai entrou em coma também. Essa situação deixou minha família perplexa e o meu único irmão, Ricardo Brito, teve que tomar uma decisão, optando por ficar em Recife acompanhando o processo de recuperação do nosso pai, um senhor com 81 anos de idade. Foi por conta dessa condição que essas pessoas acima citadas foram tão importantes. Cuidaram de mim como se fosse alguém de suas famílias. Gratidão a todos pelo cuidado e carinho.

Meu pai recuperou-se mais rapidamente, voltou para casa com uma semana, mas esconderam dele as notícias em relação a mim, e quando retornei à consciência física, só soube do que aconteceu cinco meses depois quando deixei a UTI, instante em que avaliei o quanto foi significativo o carinho e o cuidado de todos vocês.

Em vez de FIM essa história tem um RECOMEÇO. START.
Estrela Magnética Amarela – 31/01/2013


NOTAS
O grande ciclo maya é o período compreendido em 13 subciclos com 144 mil dias cada. Teve início em 3113 a.C. e terminou em 21 de dezembro 2012 d. C., finalizando a Era da Transformação da Matéria, que muitos acreditaram ser “o fim do mundo”.  Na verdade o mapeamento desse período constitui-se como o FINAL DOS TEMPOS, quando a humanidade entra numa nova era e fase evolutiva.

1. Valum Votan é o mensageiro que trouxe a interpretação dos códigos mayas sobre a Lei do Tempo, através da personalidade encarnada José Arguelles, arqueólogo, escritor, professor de História da Arte, mentor do Movimento Mundial de Paz e de Mudança para o Sincronário das 13 Luas.

José Argüelles (Rochester, Minnesota, 24 de janeiro de 1939 - Oregon, 23 de março de 2011) foi um historiador com doutorado em História da Arte pela Universidade de Chicago. Professor na Universidade de Princeton em 1966, nos 23 anos seguintes continuou sua atividade docente na Universidade da Califórnia, Davis, Instituto Evergreen State College; em Washington no Instituto Naropa; na Universidade Estadual e no Instituto de Arte de San Francisco; na Universidade de Colorado, Denver e na União de Escolas Graduadas em Ohio, como diretor do Programa Doutoral de Criação Artística.

Desenvolveu em 1989 a teoria sobre a Lei do Tempo, que estabelece o tempo como uma frequência de sincronização universal em sua fórmula T(E) = Arte (Tempo é Arte), o Tempo fatorado pela Energia é igual à Arte. Alcançou notoriedade pela sua convocação para o movimento da Convergência Harmônica e seu livro sobre os códigos do Calendário Maya – O Fator Maia. Presidente da Fundação para a Lei do Tempo, criada em 2000, propôs o uso do sincronário maya como instrumento para harmonizar a mente humana com a Natureza.

2. Cabalah
Cabala (também Kabbalah, Qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala) é uma sabedoria que investiga a natureza divina; é uma palavra de origem hebraica que significa recepção.
A Kabbalah — corpo de sabedoria espiritual mais antigo contém as chaves, que permaneceram ocultas durante um longo tempo, para os segredos do universo, bem como as chaves para os mistérios do coração e da alma humana. Os ensinamentos cabalísticos explicam as complexidades do universo material e imaterial, bem como a natureza física e metafísica de toda a humanidade. A Kabbalah mostra em detalhes como navegar por este vasto campo, a fim de eliminar toda forma de caos, dor e sofrimento.

 É um sistema de autoconhecimento que descreve quatro mundos: emanação, criação, formação e ação. Os estudiosos demonstram as intersecções entre esses mundos num modelo chamado Árvore da Vida.

3. Racional Superior. A Cultura Racional foi fundada por Manoel Jacintho Coelho, considerado pela Cultura Racional como o Racional Superior da Terra, na cidade do Rio de Janeiro, em 1935, no bairro do Méier, no centro espírita Tenda Espírita Francisco de Assis. Embora fundada naquele ano, somente passou a ser mais divulgada a partir de 1970. Segundo conta o livro, o fundador, em 04/10/1935, recebeu uma ordem de fechar o centro espírita porque havia chegado ao mundo uma nova era, chamada Fase Racional, a fase do desenvolvimento do raciocínio, localizado na glândula pineal.

Segundo o movimento, o raciocínio desenvolvido com a Imunização Racional é algo completamente diferente do pensamento lógico (usualmente considerado como raciocínio), pois este não limita-se a uma operação lógica discursiva. O raciocínio desenvolvido através da Imunização Racional representa o perfeito equilíbrio entre lógica e emoção, funcionando como um ponto orientador do ser humano, libertando-o de angústias, tristezas, energias negativas e os mais diversos males.


***

Nota do Blog O SOL INTERNO:

Estes dias recebemos um presente deste um Ser mais que especial.

Um relato e Depoimento sobre a atuação do Frequências de Cura de forma extremamente profunda na recuperação pós UTI de Ana Gardênia, 
Jornalista, Comunicadora e Locutora
.


Gostaríamos de compartilhar com todos os nossos leitores do blog O SOL INTERNO.

Para ler o depoimento de Ana Gardênia sobre o Frequências de Cura clique no link abaixo:

Que possamos reflexionar profundamente sobre o que somos e o que realmente buscamos nesta vida que é extremamente curta e passageira.

FIAT LUX
PAX

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Se o amante se lança na chama da vela e não se queima,
ou a vela não é vela ou o homem não é Homem,
Assim o homem que não é enamorado de Deus
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Deus é aquele que queima o homem e o aniquila
e nenhuma razão o pode compreender.

Mawlana Rumi - ' Fihi ma fihi'

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... És precioso aos meus olhos. Troco reinos inteiros por ti...

"Nem Cristão, Judeu, ou Muçulmano,

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Eu não sou do Oriente nem do Ocidente,

nem dos oceanos nem da terra,

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Eu não existo..."


Mawlana Jalaluddin Rumi