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Desperte teu Sol Interno...

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MMSorge

Tradutor Universal

domingo, 27 de novembro de 2011

OM MANI PADME HUM

OM MANI PADME HUM

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Fonte: You Tube


Namastê
PAX

sábado, 19 de novembro de 2011

Iluminando a mente - Um ensinamento completo sobre os prazeres sensuais


Mahadukkhakkhandha Sutta (MN 13) 

O Grande Discurso da Massa de Sofrimento.
Um ensinamento completo sobre os prazeres sensuais - qual a gratificação proporcionada pelos prazeres sensuais, quais são os seus perigos e qual é a sua escapatória.


 ***

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Palestra:

(35 minutos)


Acompanhe com o texto abaixo:


Majjhima Nikaya 13
Mahadukkhakkhandha Sutta
 O Grande Discurso da Massa de Sofrimento


1. Assim ouvi. Em certa ocasião o Abençoado estava em Savatthi no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.

2. Então, ao amanhecer, vários bhikkhus se vestiram e tomando as suas tigelas e os mantos externos foram para Savatthi para esmolar alimentos. Então eles pensaram: “Ainda é muito cedo para esmolar alimentos em Savatthi. E se nós fossemos até o parque dos errantes de outras seitas,” e assim eles foram até o parque dos errantes de outras seitas e ao chegar os cumprimentaram. Quando a conversa amigável e cortês havia terminado, eles sentaram a um lado. Os errantes lhes disseram:

3. “Amigos, o contemplativo Gotama descreve a completa compreensão dos prazeres sensuais e nós também; o contemplativo Gotama descreve a completa compreensão da forma material e nós também; o contemplativo Gotama descreve a completa compreensão das sensações e nós também. Qual é então a distinção, amigos, qual é a variação, qual é a diferença entre o ensinamento do Dhamma do contemplativo Gotama e o nosso, entre as instruções dele e as nossas?”

4. Então, aqueles bhikkhus nem aprovaram nem desaprovaram as palavras dos errantes. Sem dizer isto ou aquilo eles se levantaram dos seus assentos e foram embora, pensando: “Devemos entender o significado dessas palavras na presença do Abençoado.”
5. Depois de haver esmolado alimentos em Savatthi e de haver retornado, após a refeição eles foram até o Abençoado e depois de cumprimentá-lo sentaram a um lado e relataram o que havia ocorrido. [O Abençoado disse:]

6. “Bhikkhus, os errantes de outras seitas que assim falam devem ser questionados da seguinte forma: ‘Mas, amigos, qual é a gratificação, qual é o perigo e qual é a escapatória no caso dos prazeres sensuais? Qual é a gratificação, qual é o perigo e qual é a escapatória no caso da forma material? Qual é a gratificação, qual é o perigo e qual é a escapatória no caso das sensações?’ Sendo questionados dessa forma, os errantes de outras seitas irão fracassar na exposição desse assunto, e mais ainda, eles irão se meter em dificuldades. Por que isso? Porque não é o território deles. Bhikkhus, eu não vejo ninguém no mundo com os seus devas, Maras e Brahmas, esta população com os seus contemplativos e brâmanes, seus príncipes e o povo, que pudesse satisfazer a mente com uma resposta a essas questões, exceto o Tathagata, ou os seus discípulos, ou alguém que tenha aprendido com eles.

(PRAZERES SENSUAIS)

7. (i) “E o que, bhikkhus, é a gratificação no caso dos prazeres sensuais? Bhikkhus, existem esses cinco elementos do prazer sensual. Quais cinco? Formas percebidas pelo olho que são desejáveis, agradáveis e fáceis de serem gostadas, conectadas com o desejo sensual e que provocam a cobiça. Sons percebidos pelo ouvido ... Aromas percebidos pelo nariz ... Sabores percebidos pela língua ... Tangíveis percebidos pelo corpo que são desejáveis, agradáveis e fáceis de serem gostados, conectados com o desejo sensual e que provocam a cobiça. Esses são os cinco elementos do prazer sensual. Agora o prazer e a alegria que surgem na dependência desses cinco elementos do prazer sensual são a gratificação no caso dos prazeres sensuais.

8. (ii) “E o que , bhikkhus, é o perigo no caso dos prazeres sensuais? Aqui, bhikkhus, por conta da atividade pela qual um membro de um clã ganha a vida – quer seja registrando ou contabilizando, ou calculando, ou cultivando, ou comerciando, ou administrando, ou como arqueiro, ou a serviço do rei, ou qualquer outra atividade que seja – ele tem que enfrentar o frio, ele tem que enfrentar o calor, ele se fere pelo contato com moscas varejeiras, mosquitos, vento, sol e criaturas rastejantes; ele se arrisca a morrer de fome e sede. Agora, esse é um perigo no caso dos prazeres sensuais, uma massa de sofrimento visível no aqui e agora, tendo o prazer sensual como condição, tendo o prazer sensual como fonte, tendo o prazer sensual como base, tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais.

9. “Se nenhum bem é recebido pelo membro de um clã ao se empenhar e se esforçar no seu trabalho, ele fica triste, se angustia e lamenta, ele chora batendo no peito e fica perturbado, clamando: ‘Meu trabalho é em vão, meu esforço infrutífero!’ Agora, esse também é um perigo no caso dos prazeres sensuais ... tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais.

10. “Se algum bem é recebido pelo membro de um clã ao se empenhar e se esforçar no seu trabalho, ele experimenta dor e angústia ao protegê-lo: ‘Como farei para que nem reis nem ladrões roubem os meus bens, nem o fogo os queime, nem as águas os carreguem, nem herdeiros odiosos os levem?’ E enquanto ele guarda e protege os seus bens, reis ou ladrões os roubam ou o fogo os queima, ou as águas os carregam, ou herdeiros odiosos os levam. E ele fica triste, se angustia e lamenta, ele chora batendo no peito e fica perturbado, clamando: ‘O que eu tinha não tenho mais!’ Agora, esse também é um perigo no caso dos prazeres sensuais ... tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais.

11. “Além disso, tendo o prazer sensual como condição, tendo o prazer sensual como fonte, tendo o prazer sensual como base, tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais, reis brigam com reis, nobres com nobres, brâmanes com brâmanes, chefes de família com chefes de família; a mãe briga com o filho, o filho com a mãe, o pai com o filho, o filho com o pai, o irmão briga com o irmão, o irmão com a irmã, a irmã com o irmão, o amigo com o amigo. E nas suas brigas, rixas e disputas eles se atacam uns aos outros com as mãos, pedras, paus ou facas e com isso eles causam a si próprios a morte ou sofrimento igual à morte. Agora esse também é um perigo no caso dos prazeres sensuais ... tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais.

12. “Além disso, tendo o prazer sensual como condição ... os homens tomam espadas e escudos e afivelam arcos e coldres e eles se lançam na batalha, concentrados em fila dupla com flechas e lanças voando e espadas cintilando; e ali eles são feridos por flechas e lanças e as suas cabeças são decepadas por espadas e com isso eles causam a si próprios a morte ou sofrimento igual à morte. Agora esse também é um perigo no caso dos prazeres sensuais ... tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais.

13. “Além disso, tendo o prazer sensual como condição ... os homens tomam espadas e escudos e afivelam arcos e coldres, e eles se lançam contra bastiões escorregadios, com flechas e lanças voando e espadas cintilando; e ali eles são feridos por flechas e lanças e molhados com líquidos ferventes e esmagados sob objetos pesados e as suas cabeças são decepadas por espadas e com isso eles causam a si próprios a morte ou sofrimento igual à morte. Agora esse também é um perigo no caso dos prazeres sensuais ... tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais.

14. “Além disso, tendo o prazer sensual como condição ... homens arrombam casas, pilham riquezas, cometem roubo, emboscam nas estradas, seduzem as mulheres dos outros e quando capturados, os reis lhes infligem muitos tipos de tortura. Os reis fazem com que eles sejam açoitados com chicotes, golpeados com varas, golpeados com clavas; as mãos são cortadas, os pés são cortados, as mãos e os pés são cortados; as orelhas são cortadas, o nariz é cortado, as orelhas e o nariz são cortados; eles são sujeitos ao ‘pote de mingau,’ ao ‘barbeado com a concha polida,’ à ‘boca de Rahu,’ à ‘grinalda ardente,’ à ‘mão ardente,’ às ‘lâminas de capim,’ à ‘túnica de casca de árvore,’ ao ‘antílope,’ aos ‘ganchos de carne,’ às ‘moedas,’ à ‘conserva em desinfetante’ ao ‘pino que gira,’ ao ‘colchão de palha enrolado’; eles são molhados com óleo fervente, atirados para serem devorados pelos cães, empalados vivos em estacas, decapitados com espadas – e com isso eles causam a si próprios a morte ou sofrimento igual à morte. Agora esse também é um perigo no caso dos prazeres sensuais ... tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais.

15. “Além disso, tendo o prazer sensual como condição, tendo o prazer sensual como fonte, tendo o prazer sensual como base, tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais, as pessoas se entregam ao comportamento impróprio com o corpo, linguagem e mente. Tendo feito isso, na dissolução do corpo, após a morte, elas reaparecem num estado de privação, num destino infeliz, nos reinos inferiores, até mesmo no inferno. Agora esse também é um perigo no caso dos prazeres sensuais, uma massa de sofrimento na vida que está por vir tendo o prazer sensual como causa, o prazer sensual como fonte, o prazer sensual como base, tendo como causa, simplesmente, os prazeres sensuais.

16. (iii) “E o que , bhikkhus, é a escapatória no caso dos prazeres sensuais? É a remoção do desejo e cobiça, o abandono do desejo e cobiça pelos prazeres sensuais. Essa é a escapatória no caso dos prazeres sensuais.

17. “Que esses contemplativos e brâmanes, que não compreendem como na verdade é a gratificação como gratificação, o perigo como perigo e a escapatória como escapatória no caso dos prazeres sensuais, possam eles mesmos compreender completamente os prazeres sensuais ou instruir outra pessoa de modo que ela possa compreender completamente os prazeres sensuais – isso é impossível. Que esses contemplativos e brâmanes, que compreendem como na verdade é a gratificação como gratificação, o perigo como perigo e a escapatória como escapatória no caso dos prazeres sensuais, possam eles mesmos compreender completamente os prazeres sensuais ou instruir outra pessoa de modo que ela possa compreender completamente os prazeres sensuais – isso é possível.

(FORMA MATERIAL)

18. (i) “E o que, bhikkhus, é a gratificação no caso da forma material? Suponham que houvesse uma jovem da classe dos nobres ou da classe dos brâmanes ou da casa de um chefe de família, no seu décimo quinto ou décimo sexto aniversário, nem muito alta nem muito baixa, nem muito magra nem muito gorda, nem com a tez muito escura nem muito clara. A sua beleza e graciosidade estão no seu auge?” – “Sim, venerável senhor.” – “Agora o prazer e a alegria que surgem na dependência dessa beleza e graciosidade são a gratificação no caso da forma material.”

19. (ii) “E o que, bhikkhus, é o perigo no caso da forma material? Mais tarde alguém poderá ver aquela mesma mulher com oitenta, noventa ou cem anos, idosa, curvada como o suporte de um teto, redobrada, apoiada numa bengala, cambaleante, frágil, a juventude perdida, os dentes quebrados, os cabelos grisalhos, careca, enrugada, com os membros todos manchados. O que vocês pensam bhikkhus? A antiga beleza e graciosidade desapareceram e o perigo se tornou evidente?” – “Sim, venerável senhor” – “Bhikkhus, esse é o perigo no caso da forma material.”

20. “Além disso, alguém poderá ver aquela mesma mulher aflita, sofrendo e gravemente enferma, deitada suja em seu próprio excremento e urina, levantada por alguns e deitada por outros. O que vocês pensam bhikkhus? A antiga beleza e graciosidade desapareceram e o perigo se tornou evidente?” – “Sim, venerável senhor” – “Bhikkhus, esse também é o perigo no caso da forma material.”

21. “Além disso, alguém poderá ver aquela mesma mulher como um cadáver descartado num cemitério, um, dois ou três dias morta, inchada, lívida e ressumando matéria. O que vocês pensam bhikkhus? A antiga beleza e graciosidade desapareceram e o perigo se tornou evidente?” – “Sim, venerável senhor” – “Bhikkhus, esse também é o perigo no caso da forma material.”

22-29. “Além disso, alguém poderá ver aquela mesma mulher como um cadáver descartado num cemitério, sendo devorada por corvos, gaviões, urubus, cães, chacais ou vários tipos de vermes ... um esqueleto com carne e sangue, mantidos unidos pelos tendões ... um esqueleto descarnado lambuzado de sangue, mantido unido pelos tendões ... ossos desconectados espalhados em todas as direções – aqui um osso da mão, ali um osso do pé, aqui um osso da perna, ali um osso das costelas, aqui um osso do quadril, ali um osso da coluna, aqui o crânio ... ossos esbranquiçados, com a cor das conchas ... ossos empilhados, com mais de um ano ... ossos apodrecidos e convertidos em pó. O que vocês pensam bhikkhus? A antiga beleza e graciosidade desapareceram e o perigo se tornou evidente?” – “Sim, venerável senhor” – “Bhikkhus, esse também é o perigo no caso da forma material.”

30. (iii) “E o que, bhikkhus, é a escapatória no caso da forma material? É a remoção do desejo e cobiça, o abandono do desejo e cobiça pela forma material. Essa é a escapatória no caso da forma material.”

31. “Que esses contemplativos e brâmanes, que não compreendem como na verdade é a gratificação como gratificação, o perigo como perigo e a escapatória como escapatória no caso da forma material, possam eles mesmos compreender completamente a forma material ou instruir outra pessoa de modo que ela possa compreender completamente a forma material – isso é impossível. Que esses contemplativos e brâmanes, que compreendem como na verdade é a gratificação como gratificação, o perigo como perigo e a escapatória como escapatória no caso da forma material, possam eles mesmos compreender completamente a forma material ou instruir outra pessoa de modo que ela possa compreender completamente a forma material – isso é possível.

(SENSAÇÕES)

32. (i) “E o que, bhikkhus, é a gratificação no caso das sensações? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades não hábeis, entra e permanece no primeiro jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos do afastamento. Em tal ocasião ele não opta pela sua própria aflição, pela aflição de outrem ou pela aflição de ambos. Nessa ocasião ele sente sensações que estão isentas de aflições. A maior gratificação no caso das sensações é estar livre de aflições, eu digo.

33-35. “Além disso, abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que é caracterizado pela segurança interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos da concentração ... abandonando o êxtase ... ele entra e permanece no terceiro jhana ... com o completo desaparecimento da felicidade ele entra e permanece no quarto jhana ... Em tal ocasião ele não opta pela sua própria aflição, pela aflição de outrem ou pela aflição de ambos. Nessa ocasião ele sente sensações que estão isentas de aflições. A maior gratificação no caso das sensações é estar livre de aflições, eu digo.

36. (ii) “E o que, bhikkhus, é o perigo no caso das sensações? As sensações são impermanentes, insatisfatórias e sujeitas à mudança. Esse é o perigo no caso das sensações.
37. (iii) “E o que, bhikkhus, é a escapatória no caso das sensações? ? É a remoção do desejo e cobiça, o abandono do desejo e cobiça pelas sensações. Essa é a escapatória no caso das sensações.

38. “Que esses contemplativos e brâmanes, que não compreendem como na verdade é a gratificação como gratificação, o perigo como perigo e a escapatória como escapatória no caso das sensações, possam eles mesmos compreender completamente as sensações ou instruir outra pessoa de modo que ela possa compreender completamente as sensações – isso é impossível. Que esses contemplativos e brâmanes, que compreendem como na verdade é a gratificação como gratificação, o perigo como perigo e a escapatória como escapatória no caso das sensações, possam eles mesmos compreender completamente as sensações ou instruir outra pessoa de modo que ela possa compreender completamente as sensações – isso é possível.”

Isso foi o que disse o Abençoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abençoado.


Outros Suttas que tratam dos prazeres sensuais e das sensações:

Culadukkhakkhandha Sutta (MN 14) - O Pequeno Discurso da Massa de Sofrimento
Culadhammasamadana Sutta (MN 45) - O Pequeno Discurso de Como Fazer as Coisas
Bahuvedaniya Sutta (MN 59) - Os Muitos Tipos de Sensações
Magandiya Sutta (MN 75) - Para Magandiya



Bons estudos



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A ALQUIMIA SEXUAL DO TAOÍSMO

A ALQUIMIA SEXUAL DO TAOÍSMO



A mescla do folclore chinês e do longínquo Oriente, ciências ocultas, cosmologia, yôga, meditação, poesia, filosofia quietista e misticismo exaltado, pode ser englobada em uma só palavra: Taoísmo (doutrina que leva à união com o Tao).

Agora vejamos: Tao, literalmente, significa "caminho", "via" ou "senda". É o Todo, é a Unidade, o eterno e o Extenso. É também o Incognoscível.

Muito já foi dito e escrito sobre os fundadores do Taoísmo. Eis aqui uma versão que consideramos correspondente à realidade, a respeito do Imperador Amarelo, considerado como o fundador oficial do Taoísmo. A época a qual pertenceu o Imperador Amarelo, também conhecido como Huang Ti, remonta à Idade de Ouro da China (2852-2255 a.C.). A ele é atribuído o descobrimento e a transmissão do "segredo da imortalidade". Huang Ti foi um dos Dragões de Sabedoria que governaram a China em seu período áureo.

É dito que suas investigações podem ser entendidas literal ou metaforicamente, e correspondem ao interesse que tinha Huang Ti pela cura das enfermidades, a fomentação da vitalidade e a prolongação do tempo normal de vida. Tudo isso o conduziu a tentar a transmutação da essência combinada masculina e feminina, de casais, com o fim de conseguir um corpo espiritual.          
Segundo conta a lenda, Huang Ti conseguiu destilar o elixir de ouro. Ttomou parte dessa droga e voou até o Reino dos Imortais, não sem antes transmitir a certas pessoas a receita. Esstas pessoas são as que poderíamos chamar de Autênticos Taoístas.

Os Autênticos Taoístas, por meio da prática da doutrina, aspiravam converter-se em muito mais do que deuses. Entre as técnicas para conseguir seus objetivos, podemos destacar a Alquimia Secreta, que é composta de Yôga Dual e Yôga Interno, onde se requer como base essencial a quietude e um estado de perfeita espontaneidade. Mas, submergindo-nos no mais profundo, você poderá perguntar, em que consiste o chamado Yôga Secreto? Aqui revelamos alguns segredos:

Como sabemos, o mundo, segundo os orientais, divide-se em polaridades que são o Yin e o Yang, que nascem do oceano da suave luz, ou do Tao, como dois dragões entrelaçados, ou também como um dragão e um tigre em eterna luta harmoniosa. Yin, o feminino, radiante como a Lua, com a qualidade da passividade é atribuído à Terra. O Yang, masculino, radiante como o Sol, mestre da atividade, é atribuído ao Cosmo.

Os meios para que o Yin e o Yang possam se combinar são as chamadas Veias do Dragão, isto é, linhas invisíveis cuja função é parecida com a dos canais psíquicos dentro do corpo humano. Por outro lado, fala-se dos Três Tesouros, que formam a cúspide da filosofia oriental, que são: Ching (essência), relacionado com os fluidos sexuais, Ch'i (vitalidade) e Shen (espírito).

A refinação e transmutação dos Três Tesouros, a fim de incrementar o tempo de vida e o vigor do adepto, assim como aumentar e purificar sua reserva natural de espírito (sêmen), constituem o núcleo essencial da prática dos que se propõem ao Taoísmo, tanto Yóguico como filosófico. O veículo da essência é o fluido sexual, que deve ser conservado com o maior cuidado e transformado em Ching, sutil, para reagir com Ch'i (vitalidade) e Shen (espírito). Mas, como fazê-lo?

Havendo suscitado o fluxo de Ching (fluidos sexuais) durante o coito metafísico, este deve ser contido, não chegando ao orgasmo nem à ejaculação. Como diz Yu Yen:

A cada cópula do céu e da terra, atrai para ti as fontes secretas do Yin e do Yang, ou, o que é o mesmo, "quando tu e tua parceira estiverem juntos, combinai os dois fluidos sexuais e atraiam-nos para vossos corpos".

No caso do homem, o segredo está em não ejacular, em "conter-se", atraindo o fluido do Yin. Desta maneira pode-se formar o elixir que conduz à longevidade, à imortalidade e à união mística com o Tao. O cultivo dual, instituído pelo Imperador Amarelo e as Donzelas Simples, Misteriosas e Escondidas, pode ser também aproveitado pela mulher, sempre que cumpra com os requisitos prévios, que são: lugar, método e casal. Mediante o a aproveitamento do Yôga Dual cria-se o feto imortal, que deve ser entendido como uma espécie de espírito, que sobe desde a Câmara das Seis Combinações até a coronilha, até o topo da cabeça.

O Yôga Interno consiste em utilizar os canais psíquicos para recolher e distribuir a energia cósmica. A alquimia Interna taoísta coincide com o Kundalini Yôga, no aspecto de utilizar os canais psíquicos para recolher a energia. Os canais conhecidos pelos taoístas são dois, o canal médio conhecido como Chu'ung Mo (impulso) e outro por trás, chamado Jen-Mo (função).

Os taoístas não falam de centros psíquicos, mas de cavidades, e estas têm afinidade com os chakras hindus. Os taoístas sustentam que as cavidades mais importantes são o Ni-Wan, próximo à coronilha, que corresponde ao chakra hindu mais elevado, ou a passagem misteriosa que coincidiria com o chamado Chacra Cósmico, ou da Polividência, dos tibetanos. E o campo superior e inferior do Cinabre, situado no plexo solar e sob o umbigo, respectivamente. Outros pontos do corpo humano que têm um significado yóguico são o coração, a região do umbigo, a raiz dos órgão genitais e a ponta do pênis e clitóris.

O objetivo fundamental da alquimia interior ou yôga interno, que é a mesma Supra-sexualidade, é fundir a energia superior e inferior para engendrar calor psíquico, através de um controle estrito do sêmen e da respiração.

Para que você, estimado Buscador da Verdade, possa experimentar todo o realismo do Tao do Amor ou Supra-sexualidade, recomendamo-lhe que pratique minuciosamente todas as orientações, comentários e recomendações que vamos mencionar em seguida:

1. Evite todo tipo de desperdícios. Para o taoísta, toda forma de "desperdício" (ejaculação e orgasmo) é um mal. Você tem direito de gozar as alegrias terrenais e celestiais, mas sem desperdiçar o Ching (sêmen).

2. Considere sexo como um protetor da vida. O Taoísmo não crê que haja uma solução para os problemas do mundo sem uma abordagem integral do amor e do sexo.

3. Se você quer chegar aos mais altos níveis de harmonização do Ying e do Yang, tem de abandonar definitivamente o imundo vício da masturbação.

4. Deixe de lado seu "machismo", recordando que as mulheres na antiga China desempenharam o papel de mestras e consultoras do Tao do Amor junto ao Imperador.

5. Procure sempre realizar sua união místico-sexual de uma maneira "extasiante" e "poética".

6. Jamais na vida tente praticar a Supra-sexualidade com uma prostituta, porque no Taoísmo a sexualidade tem de estar acompanhada de Amor.

7. Se você, durante a união sexual, chegar ao "ponto de perigo", pratique o método de Wu Hsien (um Mestre do Tao do Amor durante a dinastia Han, 206 a.C.), o qual consiste em retirar "a haste de jade" (o falo ou pênis) durante 10 a 30 segundos.

8. Pratique a união místico-sexual se possível a cada 24 horas, à noite ou pela madrugada, tal como o recomenda o V.M. Samael Aun Weor.

9. Seja muito carinhoso durante o dia porque a mulher necessita deste alimento.

10. Dedique mais tempo ao Tao do Amor do que às festas e à gula.

11. Recorde que se você sofre de impotência, esta só poderá ser solucionada mediante o Tao do Amor, sem chegar nunca a perder o Ching (sêmen).

12. Nunca esqueça que na Alquimia Interior, o tamanho do Yu Heng (falo) não importa, o que vale é a capacidade do homem para nunca chegar à ejaculação.

13. O Yôga Dual jamais poderá ser realizado entre homossexuais.

Aproximando-nos do encerramento deste transcendental capítulo, farei menção de um diálogo de uma das três consultoras do Imperador Amarelo para assuntos do Tao do Amor. O diálogo aparece em um livro antigo chamado Yu Fang Pi Chuch (ou Os Segredos da Câmara de Jade):

Tsai Nu (uma das três consultoras de Huang Ti para assuntos do Tao) ensinou: "É uma crença geral que se obtém um prazer muito grande na ejaculação. Se se aprende com o Tao justamente a evitá-la, o prazer não diminuirá com isso?
P'eng Tsu (principal consultor de Huag-Ti para o Tao): "Muito pelo contrário! Depois da ejaculação, o homem fica cansado, os ouvidos zumbem, os olhos pesam e ele deseja dormir.

Tem sede e os membros ficam inertes e duros. Na ejaculação o homem experimenta um segundo rápido de sensações e, como resultado delas, longas horas de fadiga. E isto não se constitui em um prazer verdadeiro. Por outro lado, se o homem regula e depois anula a ejaculação, o corpo se fortalecerá, a mente se relaxará e a visão e audição melhorarão. Isto poderá parecer, às vezes, que o homem esteja negando a si mesmo a sensação ejaculatória, mas o amor que sente pela mulher aumentará sobremaneira. É como se ele nunca se cansasse dela, e esse é o verdadeiro prazer duradouro, não é mesmo?"

Para finalizar este texto com chave de ouro, consideramos de vital importância transcrever dois diálogos transcendentais mantidos entre Huang Ti, o Imperador Amarelo, e duas de suas três mestras consultoras para assuntos do Tao do Amor, Su Nu e Tsai Nu:

Imperador Huang Ti: "Você está dizendo que as diferenças em tamanho e forma do Yu Heng (o falo) não influenciam de maneira alguma no prazer da comunhão?"

Su Nu: "Diferenças de tamanho e forma são uma mera aparência exterior. O verdadeiro prazer, a verdadeira beleza da comunhão, são os sentimentos interiores. Se a primeira associação que um homem faz com a comunhão for de amor e respeito, e se o amor for verdadeiro, então qual a influência negativa que uma pequena diferença em tamanho e forma pode acarretar?"


A preservação da essência Yang fortalecia a força Yang no homem e o aproximava mais do céu. Para ele era de suma importância alimentar sua essência Yang com a essência Yin, daí o fato de que quase todos os antigos textos taoístas insistiram na importância de praticar a Alquimia Interior freqüentemente e o não ejacular. Quanto mais se pratica o Yôga Dual, tanto mais se beneficia da harmonia de Yin e Yang. E quanto menos se ejacula, tanto menos se perdem os benefícios dessa harmonia. Sobre esse particular vai o segundo diálogo entre o Imperador Huang Ti e Su Nu:

Huang Ti: "Gostaria de escutar sobre o benefício da não ejaculação."

Su Nu: "Quando o homem ama uma vez sem perder o sêmen, fortalecerá seu corpo. Se ama duas vezes sem perdê-lo, a audição e a visão se tornarão mais agudas. Se três vezes, talvez desapareçam todas as enfermidades. Se quatro vezes, terá paz em sua alma. Se cinco vezes, o coração e a circulação do sangue estarão revitalizados. Se seis vezes, a barriga enrijecerá. Se sete vezes, as nádegas e as pernas talvez se tornem ainda mais poderosas. Se oito vezes, talvez a superfície da pele se uniformize. Se nove vezes, alcançará a longevidade. Se dez vezes, será um imortal".

Que o caro leitor entenda profundamente essa resposta, seus números sagrados dentro das Iniciações Cósmicas.


Baixe aqui mais textos sobre sexualidade e tantrismo
Bons estudos.


Samael Aun Weor

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CANTA!




Canto porque o canto me purifica,

Canto porque o canto é minha prece,

Canto porque cantando me aproximo de Deus.

E ao me aproximar me perco nele e ele em mim.

Vem!!! E nos percamos no néctar divino das notas que embriagam este universo do mais puro e sublime amor.

Vem!!! Pois o Universo se perdeu em mim e eu nele, agora nos tornamos UM!

E Nada mais importa!!!



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Bhagavad-Gita, O Som de Deus - O CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL


Capítulo II
O CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL

Sanjaya disse: O Senhor Krishna falou as seguintes palavras para o abatido Arjuna, cujos olhos estavam lacrimosos, e que estava sob a compaixão e o desespero. (2.01)

O Senhor Krishna disse: Como pode a tristeza chegar até você nesta conjuntura? Isto não é adequado para uma pessoa de mente nobre e de ação. Isto é uma grande desgraça, e não fará nada para conduzir ninguém aos céus, Ó Arjuna. (2.02)

Não se torne um covarde, Ó Arjuna, porque isto não é adequado para você. Livre-se desta fraqueza trivial do seu coração, e levante-se para a batalha, Ó Arjuna. (2.03)

ARJUNA CONTINUA SEU RACIOCÍNIO CONTRA A GUERRA

Arjuna disse: como poderei golpear meu avô, meu guru, e todos os outros parentes – que são merecedores de meu respeito – com flechas na batalha, Ó Krishna? (2.04)

Arjuna possui um ponto válido. Na cultura védica, gurus, o idoso, pessoas ilustres, e todos os outros superiores dever se respeitados. Ninguém deve lutar ou nem mesmo brincar, ou dizer palavras de forma sarcástica para com os seus superiores, mesmo se ele o ferir. Mas as escrituras também dizem que qualquer um que esteja engajado em atividades abomináveis, ou apoiando o pecado contra seus semelhantes, está longe de ser respeitado, devendo ser punido.

Realmente, será melhor viver de esmolas neste mundo do que matar estas nobres personalidades, porque por matá-los Eu obterei riquezas e prazeres manchados com seus sangues. (2.05)

Nós não conhecemos qual alternativa – lutar ou abandonar – é melhor para nós. Além disto, nós não sabemos se nós iremos conquistá-los ou se eles irão conquistar-nos. Nós nem mesmo desejaremos viver após matar nossos primos que estão diante de nós. (2.06)

Arjuna está incapaz de decidir o que fazer. Diz-se que a experiente orientação de um guru, o conselheiro espiritual, deve ser procurada durante um momento de crise ou submeter-se as perplexidades da vida. Arjuna, agora, pede para Krishna por direção:

Meus sentidos confundem-se pela fraqueza da piedade, e minha mente está confusa sobre a obrigação (Dharma). Por favor, diga-me o que é melhor para mim. Eu sou Seu discípulo, e abrigo-me em Você. (2.07)


NOTA: “Dharma” pode ser definido como o governo da lei eterna, sustentando, e suportando a criação e a ordem no mundo. 


Ele é o eterno relacionamento entre o criador e Suas criaturas. Ele também significa o caminho da vida, doutrina, princípio, dever prescrito, retidão, reta ação, integridade, conduta ideal, hábito, virtude, natureza, qualidade essencial, mandamentos, princípios morais, verdade espiritual, espiritualidade, valores espirituais, e uma função dentro da ordem das escrituras ou da religião Eu não percebo que o ganho de um incomparável e próspero reino por sobre esta Terra, ou mesmo por sobre a nobreza de todos os controladores celestiais, removerão a aflição que está esgotando os meus sentidos. (2.08)

Sanjaya disse: Ó rei, após ter falado deste jeito para o Senhor Krishna, o poderoso Arjuna disse: “Eu não irei lutar!”, e ficou em silêncio. (2.09)

Ó rei, o Senhor Krishna, como se sorrisse, falou as seguintes palavras para o angustiado Arjuna no meio dos dois exércitos. (2.10)

OS ENSINAMENTOS DO GITA INICIAM COM O VERDADEIRO CONHECIMENTO DO SER E DO CORPO FÍSICO

O Senhor Krishna disse: dizendo sábias palavras, “Seu lamento por aqueles não merece o seu pesar. O sábio nunca se lamenta nem pelos vivos e nem pelos mortos”. (2.11)

As pessoas se encontram e se despedem deste mundo como duas peças de madeira flutuando rio abaixo, reunindo-se e se separando uma das outras (MB 12.174.15). O sábio que conhece que o corpo é mortal e que o espírito é imortal não tem nada do que se lamentar (KaU 2.22).

NOTA: O Ser (ou Atma) é também chamado alma ou consciência, e é a origem da vida e o poder cósmico por detrás do complexo corpo-mente. Do mesmo modo como um corpo existe no espaço, similarmente, nossos pensamentos, intelecto, emoções, e psique, existem no Ser, o espaço da consciência. O Ser não pode ser percebido por nossos sentidos físicos porque o Ser está além do domínio dos sentidos. Os sentidos foram desenvolvidos para a compreensão dos objetos físicos.

A palavra “Atma” foi usada também no “Gita” para, o ser inferior (corpo, mente e sentidos), psique, intelecto, alma, espírito, sentidos sutis, si mesmo, ego, coração, seres humanos, Ser Eterno (Brahman), Verdade Absoluta, alma individual, e super-alma, ou o Supremo Ser, dependendo do contexto.

Nunca houve um tempo que todos estes monarcas, você, ou Eu não tenhamos existido, e nem deixaremos de existir no futuro. (2.12)

Da mesma forma que a alma adquire um corpo na infância, um corpo na juventude, e um corpo na velhice, durante a sua vida, similarmente, a alma adquire outro corpo após a morte. Isso não deveria iludir um sábio (2.13 – veja também o verso 15.08)

Os contatos dos sentidos com os objetos dos sentidos causam os sentimentos de calor e frio, dor e prazer. Eles são transitórios e impermanentes. Portanto, deve-se carregá-los corajosamente. (2.14)

Porque uma pessoa tranqüila – que não se aflige por estes objetos dos sentidos e mantém-se firme na dor e no prazer – torna-se adequada para a salvação. (2.15)

Nada pode ferir alguém se a mente for treinada para resistir o impulso do par de opostos – alegria e tristeza; prazer e dor; perda e ganho. O mundo fenomênico não pode existir sem o par de opostos. Bem e mal, dor e prazer sempre irão existir. O universo é um playground designado por Deus para as entidades vivas. Ele escolhe dois para jogar um jogo. O jogo não pode continuar se os pares de opostos forem totalmente eliminados.

Alguém pode sentir alegria antes, mas conhecerá a tristeza depois. Ambas as experiências, positiva e negativa, são necessárias para o nosso crescimento espiritual. A cessação da dor traz o prazer, e a cessação do prazer resulta em dor. Deste modo, a dor nasce do útero do prazer. A paz nasce do útero da guerra. A tristeza existe por causa da existência do desejo de felicidade. Quando o desejo de felicidade desaparece, desaparece a tristeza. Tristeza e somente o prelúdio para a felicidade e vice e versa.

Mesmo a alegria de ir para o Paraíso é seguida pela tristeza de retornar para a Terra; portanto, os objetos materiais não devem ser a meta da vida humana. Se alguém escolhe o prazer material é como abandonar o néctar escolhendo o veneno.

A mudança é uma lei da natureza – mudança do verão para o inverno, da primavera para o outono, da luz da Luz cheira para a escuridão da Lua nova. Nenhuma dor ou prazer duram para sempre. O prazer vai em busca da dor, e a dor é seguida de novo pelo prazer. Refletindo sobre isto, aprende-se a tolerar os golpes do tempo com paciência, e não apenas se aprende a sofrer, mas também a esperar, a receber, e alegrar-se com ambos, alegria bem como as tristezas da vida. Semeando a semente da esperança no solo da tristeza. Procure seu caminho na escuridão da noite da adversidade com a tocha das escrituras e a fé em Deus. Ali não será oportuno se não existir problemas. Einstein disse: a oportunidade descansa no meio das dificuldades.

O SER É ETERNO, O CORPO É TRANSITÓRIO

O Ser invisível (Atma, Atman, a alma, o espírito, a força vital), é eterna. O corpo físico visível é transitório, e passa por mudanças. A realidade destes dois, de fato, é realmente vista pelos videntes da verdade, que conhecem que nós não somos estes corpos, mas o Atma. (2.16)

O Ser existe em toda a parte em todos os tempos – passado, presente e futuro. O corpo humano e o universo, ambos, possuem uma existência temporária, mas aparecem como permanentes numa primeira impressão. O dicionário Webster define o Atman ou Atma com a “Alma Universo”, da qual todas as almas derivam-se, e a Suprema Morada para a qual elas retornam. Atma é também chamado de “Jivatma”, ou “Jiva”, o qual é a origem fundamental do toda a personalidade individual. 

Nós usamos as palavras inglesas: Ser, espírito, alma, ou alma individual de modo possível de mudança para os diferentes aspectos de Atma. (No Dicionário Aurélio, versão eletrônica, existe a seguinte menção a palavra Atma: “Atmã, Do sânscrito: No hinduísmo, o eu ou a alma individual, querendo significar, ou a totalidade das funções do organismo, ou uma entidade supracorporal que só pode ser atingida quando superada a realidade corpórea do indivíduo concreto, confundindo-se este com Brama [leia-se Brahman]”, nota do tradutor para o Português).

Nosso corpo físico está sujeito ao nascimento, crescimento, maturidade, reprodução, decadência e morte; enquanto que o Ser é eterno, indestrutível, puro, único, todo conhecedor, substrato, imutável, alto-luminoso, a causa de todas as causas, todo penetrante, inafetável, imutável, e inexplicável.

O espírito, pelo qual o universo todo está impregnado, é indestrutível. Ninguém pode destruir o Espírito imperecível. (2.17)

O corpo físico do que é eterno, imutável e incompreensível Espírito, é mortal. O Espírito (Atma) é imortal. Portanto, enquanto guerreiro, você deve lutar, Ó Arjuna. (2.18)

Aquele que pensa que o Espírito é morto, e aquele que pensa que o Espírito mata, ambos são ignorantes, porque o Espírito nunca mata nem é morto. (2.19)

O Espírito nunca nasce e nem morre em qualquer tempo; nunca vem a ser ou cessa de existir. Ele é não nascido, eterno, permanente e originário. Ele não se extingue quando o corpo se extingue. (2.20)

Ó Arjuna, como pode uma pessoa que pensa que o Espírito é indestrutível, eterno, não nascido e imutável, matar alguém ou fazer com que alguém seja morto? (2.21)

A MORTE E A TRANSMIGRAÇÃO DA ALMA

Assim como uma pessoa coloca uma nova roupa após desfazer-se das velhas, similarmente, a entidade viva, ou a alma individual, adquire um novo corpo após jogar fora o velho corpo. (2.22)

De modo semelhante a uma lagarta que abandona seu corpo por outro a entidade viva (a alma) obtém um novo corpo após ter abandonado o antigo (BrU 4.4.03).

O corpo físico também pode ser comparado com uma prisão, um veículo, uma residência, bem como uma roupa corpórea sutil que necessita ser trocada freqüentemente. Morte é a separação do corpo sutil do corpo físico. A entidade viva é um viajante. A morte não é o final da jornada da entidade viva. A morte é como uma área de descanso onde a alma individual troca seu veículo e a jornada continua. A vida é contínua e infinita. A morte inevitável não é fim da vida; é somente o final de algo perecível, o corpo físico.

As armas não podem cortar o Espírito, o fogo não pode queimá-lo, a água não pode molhá-lo, e o vento não pode secá-lo. O Espírito não pode ser cortado, queimado, molhado, ou seco. Ele é eterno, todo penetrante, imutável, imóvel e original. O Atma está além do espaço e do tempo. (2.23-24)

O Espírito é dito como imperecível, incompreensível, e imutável. Sabendo que o Espírito é como tal você não deve lamentar-se pelo corpo físico. (2.25)

No verso anterior, Krishna convidou-nos para não nos aborrecermos sobre o espírito indestrutível. Uma questão pode ser levantada: Deverá alguém lamentar-se pela morte (do corpo destrutível) dos seus familiares de alguma maneira? A resposta sucede-se: Mesmo se você pensar que o corpo físico nasce e morre perpetuamente, então, Ó Arjuna, você não deve lamentar-se, porque a morte é certa para aquele que nasce, e o nascimento é certo para aquele que morre. Portanto, você não deve lamentar-se sobre a morte inevitável. (2.26-27)

Não se deve lamentar a morte de qualquer um, em todos. A lamentação é devida ao apego, e o apego amarra a alma individual na roda da transmigração. Portanto, as escrituras sugerem que não se deve enlutar, mas orar por vários dias após a morte do corpo para a salvação da alma que partiu.

A inevitabilidade da morte, e a indestrutibilidade da alma, de qualquer forma, não justificam a permissão de matar desnecessariamente numa guerra injusta, ou mesmo o suicídio. As escrituras Védicas são muito claras neste ponto, a respeito em matar seres humanos ou qualquer outra entidade viva. As escrituras dizem: Ninguém deve cometer violência contra qualquer um. O matar não autorizado é punível em todas as circunstâncias: uma vida por uma vida. O Senhor Krishna está encorajando Arjuna para lutar – mas não para matar de forma libertina - para estabelecer a paz, a lei e a ordem por sobre a Terra, de acordo com o dever de um guerreiro.

Todos os seres são imanifestos, ou invisíveis, para os seus olhos físicos antes de nascer e depois da morte. Eles são manifestos somente entre o nascimento e a morte. O quê tem para se lamentar? (2.28)

O ESPÍRITO INDESTRUTÍVEL TRANSDENDE A MENTE E A PALAVRA

Alguns falam sobre este Espírito como um enigma, outros o descrevem como uma maravilha, e outros ouviram sobre ele como algo maravilhoso. Mesmo após ter ouvido sobre isto, muito poucas pessoas conhecem sobre o que é o Espírito. (2.29) – (Veja, também, KaU 2.07)

Ó Arjuna, o Espírito que reside no corpo de todos os seres é eterno e indestrutível. Portanto, você não deve enlutar-se por ninguém. (2.30)

O SENHOR KRISHNA RELEMBRA ARJUNA DA SUA RESPONSABILIDADE ENQUANTO GUERREIRO

Considerando, também, a sua condição enquanto guerreiro, você não deve hesitar, porque não há nada mais auspicioso do que alguém realizar a sua responsabilidade na vida. (2.31)

Somente afortunados guerreiros, Ó Arjuna, recebem semelhante oportunidade para uma guerra justa contra o mal, que é como uma porta aberta para o céu. (2.32)

Uma guerra justa não é uma guerra religiosa contra seguidores de outras religiões. Uma guerra justa pode ser travada mesmo contra seus próprios agentes malvados adeptos e familiares (RV 6.75.19). A vida é uma contínua batalha entre as forças da maldade e da bondade.

Uma pessoa valente deve lutar com o espírito de um guerreiro – com vontade e determinação para a vitória – e sem qualquer compromisso com as forças do mal e dificuldades. Deus ajuda o valente que adere à oralidade. Dharma (justiça; retidão) protege aqueles que protegem o Dharma (moralidade, justiça e retidão).

É mais vantajoso morrer por uma reta causa, e, adquirir a graça do sacrifício, do que morrer de uma morte normal ou compulsória. Os portões do paraíso abrem-se totalmente para aqueles que levantam-se para manter a justiça ou a retidão (Dharma). Nenhum mal pode deter isso. Existem idéias muito similares expressas em outras escrituras do mundo.

O Corão diz: “Alá ama aqueles que lutam por Sua causa na ordem (Surah 61.04)”. A Bíblia diz: “Feliz aqueles que sofrem perseguição porque fazem o que Deus exige. O reino dos céus será deles (Mateus, 5.10). 


Não há pecado em matar um agressor. Quem quer forma, todos aqueles que apóiem os Kauravas são basicamente agressores e merecem ser eliminados. Se você não lutar nesta batalha do bem sobre o mal, você irá fracassar no seu dever, perderá a sua reputação como um guerreiro, e incorrerá em pecado por não realizar a ação correta. (2.33)

As pessoas irão falar sobre sua desgraça por um longo tempo. Para o ilustre, a desonra é pior do que a morte. (2.32)

Os grandes guerreiros irão pensar que você fugiu do campo de batalha por medo. Aqueles que muito te estimam irão perder o respeito por você. (2.35)

Seus inimigos irão falar muitas palavras com desdém sobre suas habilidades. O que poderá ser mais doloroso para você do que isto? (2.36)

Você irá alcançar o paraíso se matar no cumprimento de sua obrigação, ou você gozará o reino da Terra se vitorioso. Nada acontecerá se você vencer. Portanto, erga-se com determinação para lutar, Ó Arjuna. (2.37)

Engaje-se da mesma forma, no manejo da luta, no prazer ou dor, ganho ou perda, vitória e derrota, no seu dever. Por fazer sua obrigação deste jeito você não irá incorrer em pecado. (2.38)

O Senhor Krishna diz, aqui, que mesmo a violência realizada no cumprimento do dever, com um estado de espírito apropriado, como no verso dito acima, é sem pecado. Isto é o verso inicial da teoria do Karma-yoga, um dos temas do Gita. “O sábio sinceramente deve saudar o prazer e a dor, alegria e tristeza, sem desencorajar-se” (MB 12.174.39).

“Dois tipos de pessoas são felizes neste mundo: Aqueles que são completamente ignorantes e aqueles que são verdadeiramente sábios. Todos os outros são infelizes” (MB 12.174.33)


A CIÊNCIA DO KARMA-YOGA, E A AÇÃO DESAPEGADA

A ciência do conhecimento transcendental há sido dividida para você, Ó Arjuna. Agora ouça a ciência dedicada de Deus, ação desapegada (Seva), por ela favorecida você irá tornar-se livre do cativeiro kármico, ou pecado. (2.39)

Não há perda de tempo no serviço desapegado, e nele não há efeitos adversos. Mesmo uma pequena prática nesta disciplina protege alguém do repetido ciclo de nascimentos e mortes. (2.40)

A ação desapegada é também chamada de Seva, Karma-yoga, sacrifício, yoga ou trabalho, ciência da ação própria, e yoga da tranqüilidade. Um Karma-yogi trabalha com amor para o Senhor conforme a sua responsabilidade, sem o desejo egoísta pelos frutos do trabalho, ou apego egoísta para com os resultados, e torna-se livre de todo o medo. A palavra karma também significa obrigação, ação, feito, trabalho, esforço, ou o resultado de ações passadas.

Um trabalhador desapegado possui resoluta determinação somente na realização de Deus, mas os desejos de quem trabalha para desfrutar os frutos do trabalho são infinitos os quais tornam a mente inquieta. (2.41)

OS VEDAS TRATAM DE AMBOS ASPECTOS DA VIDA, MATERIAL E ESPIRITUAL

A pessoa enganada, que se deleita nos melodiosos cantos dos Vedas – sem o entendimento do real propósito dos Vedas – pensa, Ó Arjuna, que não há nada mais nos Vedas exceto rituais, com o único propósito de obter o regozijo celeste. (2.42)

Eles estão dominados pelos desejos materiais e consideram o alcançar do paraíso como a meta mais elevada da vida. Eles ocupam-se em ritos específicos com o propósito de prosperidade material e gratificação. O renascimento é o resultado destas ações (2.43)

A auto-realização – a real meta da vida – não é possível para aqueles que estão apegados ao prazer e poder, e para quem o juízo está obscurecido pelos rituais e atividades para a satisfação dos desejos egoístas. (2.44)

A auto-realização é para que se conheça o relacionamento com o Senhor Supremo e Sua verdadeira natureza transcendental. A promessa de benefícios materiais nos rituais védicos são como promessas de açúcar candy feitas pela mãe a criança para induzir, ele ou ela, a tomarem remédios do desapego da vida material; esta é a principal instância. Os rituais precisam ser trocados com o tempo e ser direcionados acima pela devoção e boas ações. As pessoas podem rezar e meditar a qualquer hora, em qualquer lugar, sem qualquer ritual.

Os rituais tem representado uma importante função na vida espiritual, mas neles também há enormes abusos. O Senhor Krishna e o Senhor Buddha desaprovaram o uso impróprio dos rituais védicos, não os rituais em si mesmos. O rituais criam uma sagrada e abençoada atmosfera. Eles são respeitáveis como sendo um navio celestial (RV 10.63.10) e criticados como uma frágil jangada (MuU 1.2.07).

A parte dos Vedas trata dos três modos – bondade, paixão e ignorância – da natureza material. Eleve-se acima destes três modos, e seja auto-consciente. Torne-se livre da tirania do par de opostos. Fique tranqüilo e indiferente com os pensamentos de aquisição e preservação de objetos materiais. (2.45)

Para a pessoa iluminada, que está realizada na verdadeira natureza do Ser interior, os Vedas tornam-se proveitosos como um pequeno reservatório de água, tornando-se disponível como a água de um grande lago. (2.46)

As escrituras são como um lago finito que flui suas águas para o infinito oceano da verdade. Portanto, as escrituras tornam-se desnecessárias somente após o esclarecimento, do mesmo modo que um reservatório de água não tem utilidade quando é cercado por um dilúvio. Aquele que há realizado o Ser Supremo não desejará obter o paraíso por intermédio da realização de rituais védicos. As escrituras, assim como os Vedas, são meios necessários, não são o fim. As escrituras possuem a intenção de nos conduzir e guiar-nos no caminho espiritual. Uma vez que a meta é alcançada, elas serviram-nos com o seu propósito.

TEORIA E PRÁTICA DE KARMA-YOGA

Você tem o controle sobre os feitos apenas da sua responsabilidade, mas não controle ou reclamação sobre os resultados. Os frutos do trabalho não devem ser seu motivo, e você nunca deverá ser inativo. (2.47)

A reta visão do mundo se desenvolve quando nós entendemos plenamente que nós possuímos habilidade para colocar o melhor dos nossos esforços dentro de tudo; nós não devemos escolher o resultado (da ação) do nosso trabalho. Absolutamente, nós não temos o controle sobre todos os fatores que determinam o resultado. As coisas do mundo não se desenrolariam se todos tivesse sido entregue o poder de escolher os resultados das suas ações, ou para satisfazer os seus desejos.

A alguém é dado o poder e a habilidade de fazer a sua respectiva responsabilidade na vida, mas ninguém está livre para escolher os resultados. O trabalho sem a expectativa de sucesso, ou bons resultados, pode ser sem sentido, mas para estar plenamente preparado para o inesperado será uma importante posição para qualquer planejamento. Swami Karmananda disse: “A essência do Karma-yoga é realizar o trabalho para a satisfação do Criador; mentalmente renunciar os frutos de todas as ações; e deixe Deus tomar conta dos resultados. Seu dever é viver – no melhor da sua habilidade – como um servo pessoal de Deus sem qualquer recompensa para o gozo pessoal dos frutos do seu trabalho”.

O medo do fracasso, causado por ser emocionalmente apegado aos frutos do trabalho, é o grande impedimento para o sucesso, porque ele rouba a eficiência pelo distúrbio constante do equilíbrio da mente. Portanto, as obrigações devem ser feitas com desapego. O sucesso em qualquer tarefa torna-se fácil se o trabalho é feito sem a perturbação do resultado. O trabalho é realizado mais eficientemente quando a mente não está continuamente – consciente ou subconscientemente - perturbada pelo resultado, bom o mal, de uma ação.

Deve-se descobrir este fato pessoalmente na vida. Uma pessoa deve trabalhar sem o motivo egoísta, conforme a sua responsabilidade, para uma grande causa, auxiliando a humanidade particularmente, do mesmo modo que a si mesmo, a uma criança, ou a poucos indivíduos. Tranqüilidade e progresso espiritual resultam do serviço desapegado, enquanto que o trabalho motivado pelo egoísmo cria o cativeiro do Karma, bem como uma grande decepção. O serviço desapegado e dedicado por uma grande causa conduz para a paz eterna aqui e para o futuro.

O limite da jurisdição de alguém termina com a realização da obrigação; ela jamais cruza o jardim do fruto. Um caçador tem controle sobre a flecha apenas, nunca sobre o veado. Harry Bhala disse: “um lavrador tem controle de seu trabalho sob suas mãos, apesar disto ele não tem controle sobre a colheita. Mas ele não pode esperar a colheita se não trabalhar em sua terra”.

Quando alguém não deseja por prazer ou vitória ele não é afetado pela dor ou derrota. Questões de prazer ou sucesso, ou de dor ou fracasso não são levantadas porque um karmayogi está sempre no caminho servil sem esperar pelo gozo dos frutos da ação, ou mesmo as flores do trabalho. Ele ou ela descobrem o prazer do serviço.

A miopia de curto prazo, ganho pessoal, causado pela ignorância da metafísica, é a raiz de todos os males na sociedade e no mundo. O pássaro da retidão não pode ser aprisionado na gaiola do ganho pessoal. Dharma e egoísmo não podem permanecer juntos.

O desejo pelos frutos aprisionam alguém no beco escuro do pecado e o impede do real crescimento. A ação realizada apenas pelo interesse próprio é pecaminosa. O bem estar individual repousa no bem estar da sociedade. O sábio trabalha para toda a sociedade, enquanto o ignorante trabalha apenas para si mesmo ou seus filhos e netos.

O conhecedor da verdade não permite a sombra do ganho pessoal atacar o caminho do dever. O segredo da arte de viver uma vida significante é ser intensamente ativo sem qualquer motivo egoísta, como declarado abaixo: Faça as suas ações no melhor de suas habilidades, Ó Arjuna, com sua mente ligada ao Senhor, abandonando a preocupação e o apego egoísta para os resultados, permanecendo calmo tanto no sucesso como no fracasso. O serviço sem egoísmo traz paz e tranqüilidade da mente, que conduz a união com Deus. (2.48)

O Karmayoga é definido como “fazer as obrigações enquanto mantêm-se a tranqüilidade”, sob todas as circunstâncias. Dor e prazer, nascimento e morte, perda e ganho, união e separação são inevitáveis, estando sob o controle de alguma ação passada, ou Karma, do modo como se sucedem o dia e a noite. O tolo se regozija na prosperidade e se aborrece na adversidade, mas um karmayogi permanece tranqüilo sob todas as circunstâncias (TR 2.149.03-04). 


A palavra “yoga” pode também ser definida nos seguintes versos do Gita: 2.50, 2.53, 6.04, 6.08, 6.19, 6.23, 6.29, 6.31, 6.32, 6.47. Qualquer técnica prática de entendimento da Realidade Suprema, e unindo-as com Ele (Krishna), é chamada prática espiritual ou Yoga.

O trabalho feito com motivo egoísta é inferior e está longe do serviço desapegado. Portanto, seja um trabalhador desapegado, Ó Arjuna. Aqueles que trabalham apenas para o gozo dos frutos dos seus trabalhos são infelizes (porque não se tem controle sobre os resultados). (2.49)

Um Karmayogi, ou uma pessoa desapegada, torna-se livre tanto da virtude como do vício em sua vida. Portanto, esforce-se por serviço desapegado. Trabalhar o melhor das suas habilidades, sem apegar-se egoisticamente pelos frutos do trabalho, chama-se Karmayoga ou Seva. (2.50)

Paz, compostura, e liberdade do cativeiro kármico aguarda aquele que trabalha por uma nobre causa, com um espírito de desapego e que não procura qualquer recompensa ou reconhecimento. Tais pessoas regozijam-se no serviço desapegado que no final das contas os conduz para a bem-aventurança da salvação. Karma yoga purifica a mente e é muito poderosa e uma fácil disciplina espiritual que alguém pode praticar enquanto vive e trabalha na sociedade.

Não há melhor religião do que o serviço desapegado. Os frutos do vício e da virtude crescem somente na árvore do egoísmo, não na árvore do serviço desapegado. Geralmente, aquele pensamento trabalha arduamente quando se está profundamente interessado neles, ou apegado a eles, os frutos do trabalho. Portanto, Karmayoga ou serviço sem egoísmo (desapegado) talvez não conduzam ao progresso material individual ou social. Este dilema pode ser resolvido pelo desenvolvimento da atividade do serviço desapegado por uma nobre causa que alguém escolha, jamais permitindo que a ganância pelos frutos dilua a pureza da ação. Habilidade e experiência no trabalho é não atar-se pelas obrigações do karma de alguém ou as obrigações mundanas.

Os Karma Yogis estão livres do cativeiro do renascimento, devido a renúncia do serviço desapegado aos frutos de todo trabalho, alcançando um divino estado de salvação ou Nirvana. (2.51)

Quando seu intelecto perfurar completamente o véu da confusão a respeito do Ser e do não-Ser, então você irá tornar-se indiferente para o que foi dito e o que é para ser escutado das escrituras. (2.52)

As escrituras tornam-se dispensáveis após o esclarecimento. De acordo com Shankara, este verso significa alguém que teve arrancado em partes o véu da ignorância e realizado a Verdade, tornando-se indiferente aos textos védicos que prescrevem em detalhes a realização de rituais para o alcance dos frutos do desejo.

Quando o seu intelecto, que está confuso pelo conflito de opiniões e pela doutrina ritualística dos Vedas, ficar firme e sólido, centrando-se no Ser Supremo, então você irá ser iluminado e irá se unir completamente com Deus em transe. (2.53)

Ler escrituras não sagradas ou a leitura de diferentes escritos filosóficos é amarra para criar confusões. Ramakrishna disse: “Deve-se aprender das escrituras que unicamente Deus é real e o mundo é ilusório”. Um iniciante deveria conhecer que somente Deus é eterno e que tudo o mais é temporário. Após a auto-anunciação, encontra-se o Deus único tendo transformado tudo. Tudo é Sua manifestação.

Ele é ostentado de várias formas. No transe, ou no estado de superconsciência da mente, a confusão surgida do conflito de opostos cessa, e o equilíbrio mental é alcançado.

Diferentes escolas de pensamento, cultos, sistemas de filosofia, meios de adoração, e práticas espirituais encontrados na cultura védica são diferentes degraus da escada do Yoga. Semelhante amplitude de escolhas de métodos não existe em qualquer outro sistema, religião, ou meio de vida. Pessoas de diferentes temperamentos são diferentes devido as diferenças nos seus estágios de desenvolvimento espiritual e entendimento. Portanto, diferentes escolas de pensamento são necessárias para vestir as diferenças individuais assim como o mesmo indivíduo, ele ou ela, crescem e se desenvolvem.

A mais alta filosofia do puro monismo é o degrau superior da escada. A vasta maioria não pode compreender isso. Todas as escolas e cultos são necessários. Não se deve ficar confuso por causa de diferentes métodos, mas deve-se escolher com sabedoria.

Arjuna disse: Ó Krishna, quais são os sinais de uma pessoa iluminada, cujo o intelecto está firme? O que pensa e fala uma pessoa de intelecto firme? Como se comporta semelhante pessoa com os outros, e como vive neste mundo? (2.54)

As respostas para todas as questões feitas acima são dadas pelo Senhor Krishna nos versos que ficam neste capítulo, descritas a seguir:

MARCAS DE UMA PESSOA AUTO-REALIZADA

O Senhor Krishna disse: quando alguém está completamente livre de todos os desejos da mente, e está satisfeito com a bem-aventurança do Ser Supremo, então essa pessoa é chamada de iluminada. Ó Arjuna. (2.55)

De acordo com mãe Sarda, desejos por conhecimento, devoção e salvação não podem ser classificados como desejos, porque eles são desejos elevados. Deve-se primeiro trocar os desejos inferiores pelos superiores e então renunciar os desejos superiores também, e tornar-se absolutamente livre. É dito que a maior liberdade é a liberdade de tornar-se livre.

Uma pessoa é chamada de sábio iluminado, de firme intelecto, cuja mente está imperturbável pela adversidade, que não deseja prazer, e que está completamente livre de apegos, medo ou ira. (2.5 6)

Apego para com pessoas, locais e objetos retira o intelecto, e torna alguém míope.

As pessoas estão sem saída, amarradas com a corda do apego. Deve-se estudar para cortar a corda com o espada do conhecimento do Absoluto, e tornar-se desapegado e livre.

A mente e o intelecto de uma pessoa torna-se firme se não é apegada a qualquer coisa, que não se exalta pelo desejo de lucro de resultado, nem se perturba pelos resultados indesejados. (2.57)

O verdadeiro espiritualista possui paz e o olhar alegre nas suas faces sob todas as circunstâncias.

Quando alguém consegue retirar completamente o sentimento dos objetos dos sentidos, assim como uma tartaruga retrocede seus membros para dentro do seu casco, por proteger-se, no mesmo modo faz o intelecto de uma pessoa considerada firme. (2.58)

Uma pessoa aprende a controlar ou retrair os sentimentos dos objetos dos sentidos, como uma tartaruga retrai seus membros para dentro do casco no tempo de perigo, e não pode ser forçada a estender suas patas de novo até que esteja acabado; a lâmpada do autoconhecimento torna-se acesa, e se percebe a auto-efulgência do Ser Supremo interiormente (MB 12.174.51).

Uma pessoa auto-realizada regozija-se com a beleza do mundo, mantendo seus sentidos sob completo controle como uma tartaruga. A melhor via para a purificação dos sentidos e o controle deles, de modo perfeito como uma tartaruga, é engajá-los no serviço a Deus o tempo todo.

O desejo por prazeres sensuais desaparece se se abstém do gozo dos sentidos, mas o desejo pelo gozo dos sentidos permanece em muitas formas sutis. Esta sutil forma desaparece por completo também naquele que conhece o Ser Supremo. (2.59)

O desejo por prazer sensual adormece quando se abstém do gozo dos sentidos, ou devida a limitações psíquicas impostas por doenças ou velhice. Mas o desejo permanece como uma sutil impressão mental. Aqueles que tem experimentado o néctar do sabor da união com o Ser Supremo não procuram longamente pelo desfrute no baixo nível dos prazeres sensuais. O desejos sutis escondem-se como um ladrão, pronto para roubar o indivíduo na oportunidade apropriada, como explicado abaixo:

PERIGO DOS SENTIDOS DESENFREADOS

Os sentidos impacientes, Ó Arjuna, forçosamente fascinam a mente mesmo de uma pessoa sábia que aspire por perfeição. (2.60)

O sábio sempre mantém vigilância sobre a mente. Não se pode confiar plenamente na mente. Ela pode enganar mesmo uma pessoa auto-realizada (BP 5.06.02- 05). Deve-se estar muito alerta prestando atenção nas excursões da mentes.

Jamais relaxe a sua vigilância até que a meta final de realização em Deus seja atingida. Mão Sarda diz: “É da natureza da mente dirigir-se aos gozos dos objetos inferiores, assim como a natureza da água em escorrer para baixo. A Graça de Deus pode fazer a mente direciona aos elevados objetos, assim como os raios de Sol evaporam a água.

A mente humana está sempre pronta para ludibriar e fazer boas ações. Portanto, disciplina, vigilância constante, e prática espiritual honesta são necessárias. A mente é como um cavalo xucro que precisa ser domado. Nunca deixe a mente vagar – sem vigilância - no reino da sensualidade. O caminho da vida espiritual é muito escorregadio e deve ser pisado com muito cuidado para evitar quedas. Não é uma alegre travessia, e é muito difícil pisar na estreita margem do fio da espada. Muitos obstáculos, distrações e falhas chegam no caminho para auxiliar o devoto a tornar-se forte e avançar mais no caminho, assim como o ferro torna-se aço pela alteração da temperatura, esfriamento e martelamento. Não se deve desencorajar pelas falhas, mas continuar com determinação.

Aquele que fixa a sua mente em Deus com amor contemplativo, após trazer os sentidos sob controle; e de quem o os objetos dos sentidos estão sobre completo controle, o intelecto torna-se firme. (2.61)

Desenvolve-se apego aos objetos dos sentidos pensando-se nos objetos dos sentidos. O desejo pelos objetos dos sentidos advém do apego aos objetos dos sentidos, e a ira advém dos desejos não realizados. (2.62)

A ilusão ou idéias desordenadas surgem da ira. A mente é confundida pela ilusão. A razão é destruída quando a mente está confusa. Cai-se do caminho da retidão quando a razão é destruída, (2.63)

ALCANÇANDO A PAZ E A FELICIDADE ATRAVPES DO CONTROLE DOS SENTIDOS E CONHECIMENTO

Uma pessoa disciplinada, regozija os objetos dos sentidos com os sentidos que estão sob controle, e livres dos apegos e das aversões, obtendo a tranqüilidade. (2.64)

A verdadeira paz e felicidade são alcançadas, não pela gratificação dos sentidos, mas pelo controle dos sentidos.

Todos os sofrimentos são destruídos sob o alcance da tranqüilidade. O intelecto de tal pessoa tranqüila em breve torna-se completamente firme, e em união com o Supremo.(2.65)

Não há auto-conhecimento nem auto-percepção naqueles que não estão em união com o Supremo. Sem auto-percepção não há paz, e sem paz não se pode ter felicidade. (2.66)

A mente, quando controlada pelo vaguear dos sentidos, rouba o intelecto, do mesmo modo que uma tempestade desvia um barco no mar do seu destino - a praia espiritual da paz e da felicidade. (2.67)

Uma pessoa sem o controle por sobre a sua mente e cujos sentidos movimentam-se sem leme, torna-se um reagente no lugar do agente, e desenvolve karma negativo.

A ambição por prazer ou gozo é a inspiração virulenta que conduz a destruição; similarmente, o desejo por prazeres sensuais deixa-nos fora do auto-conhecimento, e nos conduz para a rede de transmigração (MB 3.02.69).

Portanto, Ó Arjuna, o intelecto torna-se firme naquele em que os sentidos são completamente retirados dos objetos dos sentidos. (2.68)

Um yogi, a pessoa auto-controlada, permanece vigilante quando é noite para todos os outros. É noite para o yogi, que vê quando todos estão acordados. (2.69)

O asceta mantém-se desperto ou desapegado da noite da existência da vida mundana, porque ele está em busca da mais elevada verdade. Considera-se alguém desperto quando está livre dos desejos mundanos (TR 2.92.02).

Um yogi está sempre consciente do espírito sob o qual os outros estão inconscientes. A vida de um asceta é inteiramente diferente da vida de uma pessoa materialista. O que é considerado real por um yogi não tem valor para uma pessoa mundana. Enquanto a maioria das pessoas dormem e fazem seus sonhos nos planos da noite ilusória do mundo, um yogi mantém-se desperto, porque ele ou ela estão despegados do mundo enquanto vivem nele.

Obtêm-se a paz quando todos os desejos dissipam-se dentro da mente sem criar qualquer distúrbio mental, como as águas de um rio entram no oceano pleno sem criar qualquer distúrbio. Aquele que deseja os objetos matérias jamais possui paz. (2.70)

Torrentes do rio do desejo carregam longe a mente de uma pessoa materialista assim como um rio carrega longe a madeira e outros objetos no seu caminho. A mente tranqüila de um yogi é como um oceano que recebe os rios do desejo sem ser perturbado por eles, porque um yogi não pensa a respeito de ganho ou perda. Os desejos humanos são infinitos. Para satisfazer o desejo é como beber água salgada que jamais saciará a sede, mas irá aumentá-la. É como tentar apagar um fogo com gasolina.

Tentar realizar os desejos materiais é como adicionar mais madeira no fogo. O fogo irá se apagar se não for mais colocado madeira nele (MB 12.17.05).

Se alguém morre sem ter conquistado o grande inimigo - os desejos - terá de reencarnar para lutar com estes inimigos de novo, e de novo, até a vitória (MB 12.16.24). Não se pode ver a face de alguém num pote de água que está agitada pelo vento; similarmente, não se está apto para realizar Deus quando a mente e os sentidos estão perturbados pelo vento dos desejos materiais (MB 12.240.030).

Aquele que abandona todos os desejos materiais torna-se livre da saudade dos sentimentos de “eu” e “meu”, alcançando a paz. (2.71)

Ó Arjuna, este é o estado de superconsciência da mente. Alcançando tal estado, não se é enganado. Conquistando este estado, mesmo no fim da vida, uma pessoa alcança a verdadeira meta da vida humana, tornando-se uno com Deus. (2.72)

O Ser Supremo é a verdade e realidade final, conhecimento e consciência, e é ilimitado e feliz. (TaU 2.01.01). 


A alma individual torna-se bem-aventurada e cheira de júbilo após conhecer Deus. A generosa felicidade não é nada mais que a bemaventurança em si mesma, como a generosidade da riqueza deve ter riqueza. Daquele da qual a origem, sustento, e dissolução deste universo é derivada, é chamado o Absoluto (BS 1.01.02; TaU 3.01.01).

O conhecimento não e uma qualidade (Dharma) natural do Absoluto; ele é a intrínseca natureza do Absoluto (DB 7.32.19). O Absoluto é o substrato, ou assim como a material causa eficiente do universo. Em ambos, a origem e o fim da energia, é única. Isto é também chamado o Campo Unificado, Espírito Supremo, Pessoa Divina, e Consciência Total, que é responsável pela percepção dos sentidos em todas as entidades vivas pelo funcionamento da mente e do intelecto.

A palavra “salvação” no Cristianismo, significa entrega do poder e penalidade do pecado. Pecado, no Hinduísmo, não é nada mais do que o cativeiro do Karma(ação), responsável pela reencarnação. Assim, salvação equivale a palavra sânscrita “Mukti” – a libertação final das entidades vivas da reencarnação - no Hinduísmo. Mukti significa a completa destruição das impressões dos desejos da causa corporal.

É a união da unidade individual com a Superalma. Alguns dizem que a toda penetrante Superalma é a causa corporal que conduz tudo e que permanece misericordiosamente desapegada. A palavra sânscrita “Nirvana” no Budismo, é imaginada como sendo a cessação dos desejos materiais em ego.

Isto é um estado de ser no qual os desejos materiais e pessoais, amores e desafetos, devem ser totalmente extintos. Eles saem da consciência corporal e alcançam o estado de auto-consciência. Esta é a liberação do apego do corpo material e o alcance do estado da bem-aventurança com Deus.




Bons Estudos

Se o amante se lança na chama da vela e não se queima,
ou a vela não é vela ou o homem não é Homem,
Assim o homem que não é enamorado de Deus
e que não faz esforços para o alcançar não é Homem.
Deus é aquele que queima o homem e o aniquila
e nenhuma razão o pode compreender.

Mawlana Rumi - ' Fihi ma fihi'

Por Amor

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... És precioso aos meus olhos. Troco reinos inteiros por ti...

"Nem Cristão, Judeu, ou Muçulmano,

nem Hindu, nem Budista, Sufi ou Zen.

Nem uma Religião ou Sistema cultural.

Eu não sou do Oriente nem do Ocidente,

nem dos oceanos nem da terra,

nem material ou etéreo,

nem composto de elementos.

Eu não existo..."


Mawlana Jalaluddin Rumi